O Movimento dos Cidadãos Conscientes e
Inconformados exigiu hoje, numa marcha popular, a devolução da palavra ao povo
para a escolha dos seus novos representantes através de eleições gerais, uma
vez que os dirigentes políticos não encontram uma saída para a crise política que
dura há 15 meses.
O Porta-Voz do Movimento, em declarações à
imprensa, na Praça dos Heróis Nacionais depois da marcha, disse que a luta que
estão a fazer é para despertar a consciência do povo e o renascimento da
Guiné-Bissau.
Lesmes Monteiro disse que a reivindicação é
um processo, tendo salientado que pouco a pouco os objectivos serão alcançados.
Pede a população a manter-se unida na luta
por uma vida melhor.
“Não estamos aqui porque não gostamos do Presidente
José Mário Vaz, mas sim porque somos nós que votamos nele. Se não está a
corresponder com as expectativas da população, deve devolver o poder, que é do
povo, à Nação, de uma forma pacífica ”, exortou.
Lesmes Monteiro disse que não vão compactuar com
a violência, tendo convidado ao Chefe de Estado a se demitir das sua funções
caso considerar que o cargo é lhe muito pesado.
Por seu turno, o Presidente do Movimento dos
Cidadãos do Mundo, um dos mentores da marcha, António da Goiá considerou que a
classe política não vai conseguir sair do buraco onde entrou porque é incapaz.
“A
situação está a gravar-se a cada dia, por isso
as reivindicações não vão parar. O povo vai sair às ruas até que a
solução seja encontrada, porque estamos num país sem escolas, sem salários em
suma estamos a viver num país ingovernável”, disse.
Goia reiterou o seu pedido de as Nações
Unidas assumirem a administração do país durante algum tempo.
Nelvina Barreto, em representação do
Movimento “Mindjeris di Guiné nô Lanta (MIGUILAN), referindo-se a crise
prevalecente no país, frisou que não foi por isso que o povo votou, tendo
salientado que o povo não vai aceitar, e que o destino da Nação está nas suas
mãos.
“Os guineenses têm direito, como qualquer
povo do mundo, ao progresso e desenvolvimento. O povo guineense é consciente.
Fez a luta de libertação mais consagrada
em toda África, como é possível estar hoje no chão”, lamentou.
Trata-se da segunda marcha de protesto
organizada pelo Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados e iniciou no Palácio do Governo e terminou na
Praça dos Heróis Nacionais, junto à Presidência da República.
A iniciativa contou a participação de
centenas de pessoas com cartazes onde se podia ler frases como “Presidente
Rua”, “O povo quer a escola”, “O povo não é lixo”, “Queremos a dissolução do
Parlamento e eleições gerais, entre outras. //ANG