sábado, 25 de outubro de 2014

Portugal confisca US $ 26 milhões do oficial militar angolano.

A polícia portuguesa apreendeu US $ 10 milhões em três instalações de alojamento no valor de 16 milhões dólares pertencentes a um oficial militar de Angola, informou a imprensa do país.

O proprietário dos bens, Gen Bento dos Santos "Kangamba", é um colaborador próximo do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

O general é também o secretário do partido MPLA no governo de Angola e do comité provincial para a organização e mobilização suburbana e rural.

Gen Kangamba é o marido da sobrinha do presidente dos Santos.

Ele é dono do Sport Clube Kabuscorp, um time de futebol popular de Angola, fundado por ele em 1994.

O general angolano também foi patrocinador do futebol clube Português Vitória de Guimarães.

Duas de suas instalações de alojamento confiscado estão localizados em Lisboa, enquanto o outro está localizado em Coimbra, no norte de Portugal, informou a imprensa do país lusófono.

Mandado de prisão

As Autoridades portuguesas, disseram que a fortuna tinha origem duvidosa.

Os meios de comunicação portugueses - Jornal de Notícias, O País e SIC Televisão de Notícias, entre outros, confirmaram a apreensão.


O dinheiro teria sido destinado para ser utilizado para ganhar favores políticos. O Gen Kangamba já havia sido implicado em vários escândalos e em vários países.

No ano passado, um mandado de prisão foi emitido pela polícia brasileira, alegadamente por ligações com a prostituição internacional e tráfico de mulheres.

De acordo com as acusações, além de envio de mulheres brasileiras para Angola, a rede tinha enviado as mulheres para Portugal, África do Sul e Áustria.

De acordo com as acusações, 90 mulheres estavam envolvidas no movimento ilícito e sua turma fez pelo menos 45 milhões dólares americanos desde 2007.

Autoridades francesas no ano passado apreenderam 3.800 mil dolares (€ 3 milhões) em dois veículos pertencentes ao General angolano.

Embaixador de Angola em Lisboa, José Marcos Barrica disse à Radio Voz da América, nesta sexta-feira, que setores da sociedade Portuguesa queriam denegrir a imagem de seu país.


"Esses círculos têm a missão de simplesmente atacar Angola", disse Barrica.

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Guiné-Bissau, o peso da história

Por, Amine Michel Saad

ESTOU irreversivelmente convencido de que a felicidade dos indivíduos não depende só deles, mas também do ambiente social e político em que vivem e que influenciam, por vezes de forma positiva, por vezes de forma perniciosa. É assim que viver em democracia ou num Estado totalitário não é a mesma coisa. Viver num país estável ou num país em sobressaltos constantes, não é a mesma coisa. Não somos seres isolados numa bola de cristal: o mundo está em nós, como nós estamos no mundo.

Seguindo com assiduidade as notícias da nossa terra nos últimos anos, constatei que existe uma forte apetência para a evocação da essência da “luta de libertação nacional”, empreiteira do gérmen da nação guineense, edificadora do Estado da Guiné-Bissau e portadora de sonhos e utopias de construção de um país onde será bom viver! – Dizia Dom Hélder da Câmara que “Quando sonhamos sozinhos, é só um sonho; mas quando sonhamos juntos é o inicio de uma nova realidade.”

Apurei ainda que a avocação desse nosso passado recente, da nossa memória colectiva acontece em momentos de tensão social, e que essa evocação se solidificou na mente do guineense a partir do momento em que aquilatou que o presente se tornou madrasta e o futuro virou opaco e incerto.

Abalados e perturbados por acontecimentos que ciclicamente sacudiram o nosso país, o guineense acabou por se sentir invadido por sentimento de desamparo que se expressa na tentação compreensível para adoptar uma postura de indiferença ou de conformismo perante as ocorrências e actos de governação que determinam o seu futuro imediato.

A sensação generalizada hoje em dia é de que estão a viver num país de decepções e de desilusões. A culpa da nossa desgraça nacional é rejeitada a poderes invisíveis que parecem ditar nossas vidas e nosso futuro. É esta a verdade? Em todo o caso, algumas pessoas pensam que sim e desistem perante este sentimento de orfandade. Muitos combatentes da primeira hora pela liberdade e democracia já desistiram, achando-se impotentes perante essa corrente revanchista ao progresso e ao bem-estar.

Mas há também os que não se resignam. Mesmo nas horas de dúvida e angústia sobre o resultado e o sentido do seu esforço e do sacrifício consentido até aqui, conscientes de que a liberdade e a democracia exigem um esforço permanente e que “para se consumar a vitória do mal, basta que os homens de bem, nada façam!”

A verdade verdadeira é que essa luta para a construção do bem-estar é necessária e porventura seja a única “revolução permanente” que valha à pena: não podemos viver sem ideais e sem sonhar com um país “de verdade”, não com um país de faz-de-conta. Pois, “não existem países ricos nem países pobres, mas sim países bem-governados e países mal-governados.”

No caso guineense, o desenvolvimento social depende, em grande medida, desse compromisso individual e colectivo, assumido como fundamento e essência da gesta emancipadora do nosso povo. Infelizmente, o comprometimento com a “Unidade – Luta – Progresso” foi sol de pouca dura, rapidamente associado a atitudes e comportamentos onde prevaleceram os traços destruidores, como os do ressentimento, da exclusão, do declínio, da incapacidade de avançar e do perigoso silogismo ilustrado pela frase de Ivan Karamazov em “Os Irmãos Karamazov”, personagem de Fiodor Dostoiévski: "Se Deus não existe, então tudo é permitido", em vez da inclusão e solidariedade que serviram de seiva que alimentou a luta e deu dignidade à independência nacional.

Que fazer para reconciliar a sociedade guineense com o seu Estado e ultrapassar a indiferença popular perante os actos de governação?

- E se a kumsada da resposta consistisse simplesmente em admitir que ”há sonhos que devem ser ressonhados e projectos que não podem ser esquecidos”. Como por exemplo: ”As crianças são as flores da nossa luta e a razão principal do nosso combate”!


“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular” - Salmo 117 [118] (AS)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Medidas de combate ao Ébola são «as adequadas»

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou hoje adequadas as medidas adotadas no Conselho Europeu para ajudar o combate ao vírus Ébola e lembrou a ajuda que Portugal dá à Guiné-Bissau em matéria de prevenção.

"As decisões que tomámos, no Conselho Europeu, estão de acordo com o grau de ameaça que enfrentamos ", disse Passos Coelho.

O primeiro-ministro lembrou que Portugal tem "desenvolvido esforços para que, por exemplo, a Guiné-Bissau, que está perto da região afetada pela epidemia, possa defender-se o melhor possível preventivamente", nomeadamente disponibilizando meios técnicos.

A União Europeia decidiu aumentar para mil milhões de euros o financiamento ao esforço de combate à epidemia de Ébola, tendo os Estados-membros assumido ainda o compromisso de aumentar o destacamento de pessoal médico e de apoio para a região afetada pelo vírus.

Passos Coelho destacou ainda a nomeação do novo comissário para a Ajuda Humanitária, o cipriota, Christos Stylianides, como coordenador da resposta da UE à epidemia de Ébola.

Perto de 10.000 pessoas foram afetadas e cerca de 4.900 já morreram vítimas de Ébola, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

A Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri são os países mais atingidos pela epidemia, que também já causou mortes na Nigéria, Estados Unidos e Espanha.


Existe também um outro surto de Ébola na República Democrática do Congo, que já causou 43 mortos, mas as autoridades médicas referem que não está relacionado com os casos na África Ocidental.

Guiné-Bissau não produz nem vende droga

O Vice-Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) asseverou que é do domínio público que a Guiné-Bissau não produz nem vende droga, reconhecendo todavia que os aliciadores são altamente poderosos, dispondo de meios financeiros e materiais podendo aliciar facilmente as pessoas de países da pobreza estrema e de fracas instituições. Assim, neste complexo fenómeno de tráfico de droga e de crime internacional a Guiné-Bissau é essencialmente vítima.

Inácio Correia que falava na cerimónia de abertura da reunião de Alto Nível entre o governo da Guiné-Bissau, Assembleia Nacional Popular (ANP) e o gabinete das Nações Unidas para Combate de Drogas e Crime Organizado (UNODC) exortou que a questão de droga e a criminalidade transnacional estão no centro da atenção do mundo e o nosso país tem sido frequentemente referenciado como um dos países facilitadores ou de trânsito da droga para os mercados de consumo. O que leva o nosso país seja por vezes apelidado de um Estado narcotráfico.

Ainda na visão daquele deputado da Nação a referida reunião de alto nível enquadra-se na promoção de formação, sensibilização, capacitação dos deputados e técnicos de ANP, com intuito de os adotar de conhecimento e informações úteis na abordagem legislativa sobre droga e crime organizado.

Vice Representante Especial da UNIOGBIS Marco Carmignani afirmou que vários estudos apontam o crime transnacional como uma das mais graves ameaças nesta região, capaz de comprometer as palavras do Secretário-geral das Nações Unidas e os progressos encorajadores que África Ocidental fez no fortalecimento da democracia e promoção do desenvolvimento humano. Informou ainda que o tráfico de droga e crime organizado prosperam num ambiente de fraca governação, falta de oportunidade económica, gera corrupção e impede o desenvolvimento.

Represente Regional do UNODC Pierre Lapaque assegurou que esta reunião é uma janela de oportunidade para corresponder as expetativas da população guineense, e contribuir para a credibilização da Guiné-Bissau no panorama internacional. Referiu ainda que a justiça, paz e democracia não são conceitos que se excluem mutuamente, assumem se como imperativo necessário da evolução a todos os países, digamos ser integrado de forma permanente em todos os domínios de acção.

Recorde-se que esta reunião de alto nível entre Parlamento, Governo e UNODC decorre nos dias 24, 25 e 27 do mês em curso onde irão discutir temas como Ameaças do crime Organizado, Terrorismo na África Ocidental e Central, Branqueamento de Capitais; Integridade e Corrupção; Reforma do Setor de Segurança, entre outras.


//Odemocrata

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Machete revela informação secreta e deixa Portugal em alerta

Os elementos do governo estão em alerta após as revelações de Machete em entrevista à Rádio Renascença. O Diário de Notícias afirma que as revelações feitas, e que deveriam ser sigilosas, estão a deixar os governantes preocupados uma vez que estas podem pôr em causa a segurança do país.

Sem informar o governo, os serviços de informações e as forças de segurança, Rui Machete revelou à rádio que há “dois ou três” portugueses no Estado Islâmico que querem regressar e que são “sobretudo raparigas”. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda as jovens fazem parte de um grupo de 12 a 15 portugueses que estão nas fileiras daquele movimento radical.“No caso português já há dois ou três, sobretudo raparigas, que se deixaram encantar pelo entusiasmo dos noivos ou por um espírito de aventura, que agora estão a querer voltar. [No total] Há 12 ou 15 [portugueses no Estado Islâmico], não sabemos exactamente bem, mas é um número muito reduzido”, afirmou Machete à Renascença.

“Não podemos deixar que essas pessoas voltem sem fiscalização”, disse, acrescentando ainda que este “não vai ser apenas um problema do Ministério porque envolve vários ministérios, desde o Ministério da Saúde, porque, muitas vezes, essas pessoas precisam de tratamento, apoio psicológico”.


Machete disse ainda que a reintegração desses jovens “é complicada”, uma vez que as sociedades em que vão ser reintegrados podem ter dúvidas quanto à sinceridade do seu arrependimento.O PS já reagiu ao caso, com Marcos Perestrello a invocar a “enorme gravidade” da situação e a classificar de “irresponsáveis” as declarações do ministro. com msn

Dirigentes do Partido da Renovação Social (PRS), insurgiram-se contra a direcção, acusando a de estar calada perante "os desmandos e arbitrariedades" do governo do país

Dirigentes do Partido da Renovação Social (PRS), segunda maior força no parlamento da Guiné-Bissau, insurgiram-se hoje (quinta-feira) contra a direcção que acusam de estar calada perante "os desmandos e arbitrariedades" do governo do país, noticiou a Lusa.

As críticas à direcção do PRS, presidida por Alberto Nambeia, fizeram-se ouvir através de Mário Pires (antigo primeiro-ministro) e Fernando Correia Landim (antigo ministro da Defesa) em conferência de imprensa. 

Segundo Fernando Correia Landim, a direcção do PRS "está muda e calada" perante a "expulsão da Função Pública" de membros do partido e ainda sobre "as arbitrariedades" das autoridades perante a população do norte do país.
Em causa está a actuação das forças de ordem em operações de recuperação de gado bovino, supostamente roubado, e que a polícia diz estar a devolver aos seus donos. 

"As pessoas estão a ser espoliadas pela própria polícia. É uma situação perigosa porque a democracia está a ser violentada", defendeu Correia Landim, que critica o que diz ser a passividade do partido.  

Tanto Mário Pires como Fernando Landim não entendem o "silêncio" da direção do PRS e ainda o facto de estar ao lado do novo poder eleito.

Alberto Nambeia é o segundo vice-presidente do parlamento e Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do partido, é ministro da Energia. 

Para os críticos, o PRS deixou de ser oposição ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das eleições legislativas e presidenciais de abril e maio deste ano. 

Fernando Landim diz ser difícil falar com o presidente do PRS e avisa que, se a situação se mantiver, o grupo que lidera pondera provocar um congresso extraordinário para, "quem sabe, eleger uma nova liderança" do partido fundado pelo falecido ex-presidente guineense, Kumba Ialá.


No quadro da abertura ao diálogo instituída pelo presidente do PAIGC e primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, o PRS conta com cinco membros no actual governo guineense entre ministros e secretários de Estado

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Com Lula e Dilma, o Brasil está virando um país de classe média

No noticiário e na linguagem sobre questões internacionais, é muito comum que se usem as expressões “países pobres” e “países ricos”. É verdade que os tais “países ricos”, se forem olhados de perto, vê-se que são países com uma enorme proporção de classe média, e pouca pobreza. Ou seja, em relação a sua população, são países de classe média. Portanto, questiono que o termo “país rico” seja usado para um país em que a imensa maioria das pessoas é de classe média. Entretanto, não questiono o termo “país pobre” para um país cuja maioria das pessoas é pobre. O Brasil, ao longo de séculos, foi de fato um país pobre. O que os governos Lula e Dilma estão fazendo com o Brasil é simplesmente transformá-lo em um país de classe média. Quem sabe o Brasil não pode se tornar o primeiro país a se assumir como um “país de classe média”?

No próximo domingo teremos eleições presidenciais no Brasil. A candidatura Dilma é a candidatura do polo progressista, que vai continuar o processo de transformação do Brasil de um país pobre em um país de classe média. A candidatura Aécio é a candidatura do polo conservador, que se vencer tende a interromper esse processo de transformação, com o Brasil correndo o risco de não se tornar de fato um país de classe média. É isso o que vamos decidir no domingo. Queremos viver em um país pobre ou de classe média? Queremos andar pelo país e ver bairros sem infraestrutura, com esgoto a céu aberto e pessoas passando fome? Ou queremos andar pelo país e ver a população morando em casas ou apartamentos de qualidade, com comida na mesa? Queremos ir a aeroportos e só ver descendentes de europeus? Ou queremos ir a aeroportos e ver descendentes de europeus, de africanos e de povos pré-colombianos, entre outros? Queremos que uma parte da população tenha carro e a maioria tenha um péssimo transporte público? Ou queremos que todos tenham um bom transporte público e que o carro seja só um complemento acessível a todos? Queremos o Brasil do passado ou o Brasil do futuro? É nessa ponte que estamos agora. Vamos em frente?


A candidatura Aécio tem como “argumentos” básicos o ódio ao PT e a qualquer entidade que ajude o povo a se organizar, e a suposta capacidade de sedução do candidato, que fala sem se prender à realidade concreta, e sim àquilo que se adapta à fantasia que quer que os eleitores e eleitoras acreditem. A candidatura Dilma tem como argumento básico que o processo de grande melhora nas condições de vida do povo que ocorreu nos últimos 12 anos tem que continuar, com mais Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Pró-Uni, Ciência sem Fronteiras, Brasil Sorridente, Farmácia Popular e tantas outras iniciativas que melhoram a vida dos mais pobres e da classe média, com o aumento do poder de compra dos salários, a redução do desemprego e o crescimento da formalização da economia. É bom dizer que os ricos em geral não perderam dinheiro nos governos Lula e Dilma, e sua renda inclusive aumentou, mas aumentou menos que a dos pobres e da classe média. Ou seja, ficaram menos ricos em relação aos pobres e à classe média, e é isso o que pode causar um certo incômodo nos setores mais abastados. Mas é disso que se trata a mudança de padrão civilizatório que estamos passando, de superar as estruturas arcaicas do Brasil como país pobre para continuar conquistando o nosso Brasil de classe média.