domingo, 1 de março de 2015

Guiné-Bissau, RESPOSTA DOS IBD’s À CRITICA DE Dr.ª CARMELITA PIRES

Li aqui (aqui no IBD»»)

Cara Compatriota,
Srª Drª Carmelita Pires,

O Grupo de Intelectuais Balantas na Diáspora vem agradecer a sua intervenção, no nosso Blog, através do seu artigo de 09.03.2013, no qual expressa livremente a sua crítica e opinião, que, também, lhe agradecemos.

É para isso que existimos! Simplesmente para comunicar, no verdadeiro sentido da palavra, com verdade e transparência.

Da discussão nasce a Luz (reza um velho provérbio Português)! Ninguém é dono da Verdade! Só o Criador! Por isso, todos estamos sujeitos à crítica e ao direito de resposta.

E como estamos - nós os Guineenses - tão precisados da Luz! Luz da Verdade! Luz do Conhecimento! Luz da Fraternidade! Luz da Solidariedade e da Cooperação Edificante, que alumie os Espíritos com uma intensidade tal que nos traga a verdadeira Sabedoria, que tenha o poder de ofuscar e afastar de nós a Escuridão da Intolerância e do Preconceito.

Estando, ainda, em fase de pesquisa, quer da forma, quer do conteúdo, o nosso objectivo é constituirmo-nos como uma plataforma de diálogo para todos os Guineenses e seus Amigos, no País e na Diáspora, para troca de informações úteis, não de banalidades e grosserias, como se lê em certas publicações online (em boa verdade, nada edificantes, pela forma envenenada, como passam algumas informações, mas que têm os seus adeptos).

Por outro lado, queremos aparecer como uma ferramenta de oportunidades para produzir pensamento reflexivo, individual ou de grupo, que deverá nortear-se pelo sentido de utilidade para todos, seja na forma de expressão e debate de ideias, seja como partilha de conhecimentos multidisciplinares ou, simplesmente, veículo para a reposição da verdade sobre assuntos de interesse comum, sobre os mais diversos temas de interesse, ou, ainda, para desbravar terrenos inóspitos, em busca de um futuro melhor para todos os que se identificam como Guineenses, quer pelo nascimento, quer pela vivência cultural e as diversas afinidades em que se enquadram no Mundo contemporâneo (CPLP, CEDEAO, etc).

Por isso, a sua intervenção mereceu, da nossa parte, o maior apreço.

Porque interveio como uma Guineense, que se preza, e que preza a sua Terra, com a qual notoriamente se preocupa!

Se nós, os Guineenses, não nos preocuparmos connosco mesmos, quem se há-de preocupar?

Por isso, nos honramos em responder ao seu artigo!

Consideramos valioso o seu contributo, não só como expressão de sentimento pessoal, mas, também, como um alerta sobre aspectos da nossa realidade, enquanto Povo.

Por isso, queremos partilhar, consigo e com os nossos Leitores, a nossa resposta àquilo que nos pareceu serem questões relevantes da sua crítica a nós dirigida.

Análise do Artigo A Designação Escolhida

No seu artigo, começa a senhora por se insurgir contra a designação pela qual nos identificamos, dizendo que a designação escolhida “…desprestigia os conteúdos do Blog”.

Mas não diz porquê. Nem a quem desprestigia. Não explica nem explicita o seu pensamento (ou a intenção subentendida).

Mas é evidente que não se explica para não cair no ridículo, no embaraço de expor o que parece ser um recalcado preconceito, que, claramente, transparece daquela sua afirmação, aliás, infeliz e descortês!

Fazemos o reparo, não por nos sentirmos ofendidos. Nada disso!

Fazemo-lo pela manifesta fragilidade do seu julgamento! E pensar que a senhora foi Ministra da Justiça de um País, que não conhece!... nem reconhece!

Porque sabemos que não faria idêntica censura à uma Associação Cultural de Naturais de qualquer outra Região do País. Por exemplo, de Geba, Cacheu ou Bolama. Porque será?

No seu artigo, começa por se insurgir contra a designação pela qual nos identificamos.

Diz a senhora que a designação escolhida “…desprestigia os conteúdos do Blog IBD”.

Mas não diz porquê. Nem a quem desprestigia. Não explica nem explicita o seu pensamento (ou a intenção subentendida).

Parece, contudo, evidente que não se explica para não se expor ao ridículo pelo que poderia ser considerado um recalcado preconceito, que, claramente, assoma à essa sua declaração (quanto a nós, infeliz e descortês)!

Fazemos o reparo, não por nos sentirmos ofendidos. Nada disso!

Fazemo-lo pela manifesta fragilidade do seu julgamento! E pensar que a senhora foi Ministra da Justiça de um País, que não conhece!...nem reconhece!

Porque sabemos que não faria idêntica censura à uma Associação Cultural de Naturais de qualquer outra Região do País! Por exemplo, de Geba, Cacheu ou Bolama. Porque será?

Quanto aos conteúdos, esses serão definidos pelo perfil dos nossos leitores, com inteira liberdade. Não seremos nós a determiná-los! Não temos pretensões a ditadores de qualquer consenso!...

Quantas Associações existem, por essa Diáspora Guineense, com a designação de “Filhos” desta e daquela Localidade ou Região do nosso País? Serão todas elas mais prestigiosas do que a nossa, para só dirigir contra nós a sua desabrida censura?

Por isso, caberia perguntar-lhe: que conteúdos é que são desprestigiados pela designação adoptada pelo Grupo?

Quanto aos conteúdos, estes serão definidos pelo perfil dos nossos leitores, com inteira liberdade. Não seremos nós a determiná-los! Não temos pretensões a ditadores de qualquer consenso!...

Só não entende quem não quer, ou alberga no espírito intenções menos limpas, talvez obscurecidas pelo preconceito. Mas…preconceitos?!… Cada um fica com o que tem!

Para bom entendedor (e a senhora certamente que o é), a designação adoptada é a adequada à identificação do Grupo. Ela é clara e compreensível!

Só não entende quem não quer ou alberga, no seu íntimo, intenções menos claras, talvez obscurecidas pelo preconceito. Mas…preconceitos?!… Cada um fica com o que tem!

Não é esse o nosso caminho! Nunca foi! Nunca será!

Não será o terreno em que queiramos competir, seja com quem for! Porque sabemos quanto sofreu o nosso Povo (os melhores Filhos da Terra) por causa disso!...

Preconceito Cultural ?

Preconceitos culturais só desmerecem quem os tem, pois nascem da fragilidade mental e intelectual, por desconhecimento do outro, no que tem de melhor: a sua Alma, o seu Espírito, impregnados pela Sabedoria herdada dos Antepassados.

Assim sendo, cada Cultura é uma singularidade, uma criação insusceptível de imitação, porque traz sempre a marca de uma espiritualidade mística, partilhada por um certo grupo humano, tornando-se o seu distintivo!

Por isso é que não há Culturas superiores, nem inferiores, no verdadeiro sentido da palavra! Isso foi uma pretensão da ignorância antiga, no passado da Humanidade, derivado justamente da sua ignorância mútua!

Nós somos pela Cultura do nosso Povo, qualquer que seja a sua fonte ou origem: da Cidade ou da Tabanca, do Sul ou do Norte, do Leste ou do Oeste, qualquer que seja o Grupo Étnico.

Se não gostarmos de nós, tal como somos, quem gostará?

O nosso objectivo é pensar sobre o que somos e como somos. Não por nós, nem para nós, mas pelas futuras Gerações de Guineenses (e pela nossa)! É uma responsabilidade partilhada!

Conhecendo-nos melhor, estaremos mais bem preparados para trabalharmos em conjunto, para mudar o que deve ser mudado e para melhorar o que já é bom.
Ignorar ou desprezar não é solução! Em nenhuma parte do Mundo! Só aumenta a ignorância mútua e com ela os problemas.
Não é essa a causa das dificuldades que o nosso País vem enfrentando, há 40 anos?

Identidade Cultural como algo Nobre

Quanto a nós, a designação não ofende nem desprestigia ninguém.

Antes, pelo contrário, identifica um Grupo de Intelectuais Guineenses, que se orgulham da sua identidade Cultural! Há coisa mais nobre que isso?

A senhora, certamente, também se reconhece na sua e sente nisso orgulho justificado!

Porque a identidade Cultural (ao contrário da alienação Cultural) é um bem inalienável e não um factor de desprestígio.

Desprestigiante, sim, é a alienação Cultural, quando não se reconhece Valor à Cultura de origem, fazendo-se o tipo de figura que o Povo facilmente identifica como alguém que “já não sabe de que Terra é!”, porque não se conhece a si mesmo, culturalmente falando!

Um País não existe só nas Cidades ou Vilas! Esse é um erro, que se paga caro, durante gerações e gerações, e tem como resultado o subdesenvolvimento crónico!

A Cultura de que Falamos

A Cultura, de que falamos, não é uma questão menor!

Cultura significa a Alma de um Povo, na qual se impregna o seu passado e o presente.

Ela contém, em cada momento, as vivências de uma dada Comunidade Humana, que nela vai buscar a Força necessária para edificar o Presente e construir o Futuro, dentro da sua própria idiossincrasia.

Dessa Cultura, que a senhora parece desdenhar, falará a nossa História futura, ansiosa por descobrir todas as suas facetas e influências. Da herança colonial falar-se-á, com comiseração e desdém, para só destacar os seus principais defeitos e implicações (positiva ou negativa) na nossa Cultura e no seu angustiante processo de Desenvolvimento: abusos do colonialismo e dos seus herdeiros culturais, como causa do desenraizamento cultural de parte da nossa população, como factor de divisão e causa da instabilidade política e social, assim como da debilidade económica, que caracterizam o momento que estamos, a atravessar, actualmente.

Está no seu direito de discordar, mas é uma constante da História da Humanidade!

Assim foi entre a Cultura Lusa (mais próxima de nós) e a ocupação Árabe (sem dúvida, a Cultura mais brilhante e influente, na época), cujas mesquitas foram modificadas e convertidas em Igrejas Cristãs, para se apagar o passado. Assim sucedeu com os Bretões e a Cultura Romana, com os Francos e os Romanos, com os Russos e a Cultura greco-romana e a influência muçulmana (através dos Turcos), patenteada no Kremlin.

Ninguém quererá nessa altura estar associado ao lado errado da História! Os grandes Heróis de que se falará serão os Libertadores Culturais e Políticos, os Resistentes da hora presente, que se opõem (pela palavra e pelas armas) ao regresso da Guine ao estado de uma Colónia sob protectorado. Então, não é assim?

Porque será que o nosso País, à beira de completar 40 Anos de Independência, ainda continua a marcar passos, no atoleiro do Subdesenvolvimento?

Não é por falta de Cultura, pelo facto de ser sistematicamente governado por gente que não conhece a sua própria Cultura, o seu próprio País, sendo vítima da mal digerida Cultura herdada do Colonialismo?

O Valor da Cultura versus Colonialismo de Substituição

Quanto melhor nos conhecermos, a nós mesmos, do ponto de vista Cultural, melhor preparados estaremos para agir sobre o País, de uma forma mais esclarecida, mais sensata e patriótica, mais isenta, e, sobretudo, mais inclusiva!

Não é verdade que o modo de governação, instalado no País, desde a Independência, não se distingue, em quase nada, comparativamente ao regime Colonial, no que concerne à busca desenfreada de riqueza fácil, em tempo record, à ganância predatória, a não ser no facto de ter mudado de actores?

Colonialismo de substituição? Não! Obrigado! Para pior, já basta o que foi!

Repare que a expressão não é muito exagerada, como retracto de certas práticas, que estão na origem das crises cíclicas que apoquentam o País e perturbam o Mundo!

E é precisamente aí que reside a causa do “desnorte”, de que a senhora fala, no seu artigo, embora invertendo a realidade para o lado que mais lhe convém.

Enquanto assim for, a verdade sairá sempre prejudicada!

É a falta de uma Política de Verdade (que deveria emergir de uma Sociedade, também, de Verdade) que gera a desconfiança sistemática, que está na origem das nossas crises! Ou não é assim?

Um Governante, culturalmente, bem informado sobre o seu Povo não cai tão facilmente nos erros que a corrupção desenfreada e o sentimento de impunidade proporcionam, na Guiné-Bissau, por ausência de lei, quase sempre substituída pelo Poder Pessoal, que premeia os apaniguados subservientes.

O nome escolhido tem muito que se lhe diga…

Prosseguindo a sua crítica, faz-nos o seguinte reparo: “o nome escolhido tem muito que se lhe diga…e nem tudo se poderá dizer”.

Infelizmente, manda as suas atoardas, mas não se explica, nem explicita o seu pensamento ou a sua intenção.

Achamos que a sua intervenção seria mais assertiva, se fosse mais explícita, mais clara, a dizer o que pensa realmente. Sabendo o que pensa, melhor poderíamos, também, esclarecer-lhe, a si e aos nossos Leitores.

Ficando-se pelas “meias palavras”, no contexto em que escreve, as mesmas não bastam para se fazer entender, ao contrário do ditado “para bom entendedor…!”

E era, absolutamente, necessário que tivesse sido capaz de se fazer entender, com a clareza que se impõe, numa reacção como a sua.

Só, só assim, a sua mensagem se tornaria verdadeiramente útil e permitir-nos-ia responder-lhe na forma justa e adequada.

Perante o vácuo da sua afirmação, o mínimo que se pode dizer, como esclarecimento, é que o Grupo não existe em função de quaisquer “conteúdos” abstractos.

A sua existência é muito anterior a quaisquer “conteúdos”, sejam eles quais forem, próprios ou alheios!

Por isso, quando muito, são os conteúdos que existem (ou devem existir) em função do Grupo (para servir os seus objectivos) e não o contrário.

Partindo do princípio de que a Verdade liberta e o Medo escraviza, talvez fosse melhor esclarecer o que pensou e pretendeu dizer. Só, assim, poderemos esclarecer o que for preciso, se for necessário.

Reacção às Incursões do “Pasmalu” e “outras histórias”?

Logo, em seguida, interroga-se sobre a nossa designação, se não seria a mesma uma reacção contra o que designa de “incursões” de “Pasmalu” e “outras histórias”, e conclui dizendo que, mesmo assim, “não deixa de ser censurável”.

Ora, garantidamente, a designação não tem, absolutamente, nada a ver com uma reacção contra quaisquer “incursões” do “Pasmalu”, nem com quaisquer “outras histórias” do género. Pela simples razão de que não sabemos mesmo a que se refere!

Ignorância nossa, certamente, de que nos penitenciamos!

A verdade é que o Grupo não existe como reacção a coisa alguma! Por isso, a sua observação não faz o mínimo sentido, com o devido respeito!

É uma iniciativa própria, absolutamente independente, livre e isenta de quaisquer intenções menos próprias. Por isso, estranhamos que semelhante ideia tenha sequer ocorrido à senhora!...

O que é o “Pasmalu”, a que a srª se refere? E o que são as “outras histórias”, a que alude?

Com a interrogação, não estamos a fazer uma pergunta de retórica, mas um pedido de esclarecimento, que se funda no desconhecimento daquelas duas referências, que aparecem, no seu artigo.

Contudo, acreditamos que, se o diz, lá saberá em que se fundamenta!

Presumimos que seja alguma grosseria, em forma de publicação, mas não nos afecta!

Se for, naturalmente, aquela ficará com quem a pratica ou nela se reconheça!

Mas o Grupo não existe para reagir contra coisa alguma!

Por isso, uma tal associação de ideias, como a que a senhora faz, no seu artigo, só pode ser fruto de qualquer outra coisa que nos escusamos de qualificar (os psicólogos chamar-lhe-iam “paranóia”).

Não há nada de censurável na designação adoptada pelo Grupo. Pelo contrário!

Trata-se, efectivamente, de um Grupo de Intelectuais, que se reconhecem numa certa identidade paradigmática, como muitos outros, no País e na Diáspora, e que existe para servir o País e não para coisa diferente disso!

Mas percebemos bem onde quis chegar!

Sendo este um Grupo de Intelectuais, não desconhece que, na nossa Sociedade, existem, ainda, alguns pruridos lamentáveis, a esse nível, decorrentes do nosso passado Colonial, que contribuiu (e contribui) para uma alienação Cultural, na qual muitos de nossos compatriotas se reconhecem, com total legitimidade. Pudera!

Mas uma alienação, é uma alienação de algo, que, tanto pode ser racial (quando o indivíduo, consciente ou inconscientemente, adopta uma identidade social que a diferencia dos seus antepassados) como Cultural (significando, neste contexto, o descolamento de uma Cultura de base para assentar arraiais numa outra, de procedência estranha, mas com a qual o indivíduo ou um grupo se identifica e acomoda, como efeito da História, não da mera Sociologia Humana).

Mas, isso, levar-nos-ia a outras considerações, que não vêm ao caso!

Algo “Forte Demais”

O mesmo se diga quanto à sua afirmação seguinte: “…Na minha perspectiva, é algo “forte demais” e que caracteriza o “forte demais” da nossa sociedade e das vindictas”.

Uma vez mais, levanta suspeições (pelo menos assim parece), mas não esclarece onde quer chegar. Fica-se pelas meias tintas!

O que deve entender-se por algo “forte demais” da nossa sociedade e das vindictas?

Por enigmática e ininteligível, abstemo-nos de responder. Simplesmente, porque não se alcança onde quer chegar. Os nossos Leitores tirarão as suas conclusões.

Mas, claramente, não partilhamos do seu ponto de vista, seja o que pretenda insinuar com aquela afirmação tão arrevesada! Somos pela verdade e transparência!

Grupo Adulterado:

Mais adiante, a srª Drª afirma: “Como Povo, somos um Grupo Adulterado, sobrevivente a quase 40 anos de desnorte”.

A partir dessa afirmação, expõe a seguinte conclusão: “Desse desnorte – diz – ainda temos fôlego para repudiar categorizações, ainda que nos surjam em jeito de desforras, mais nos podem desnortear e nos afastar do vilipendiado propósito nacional: um só Estado, uma só Nação!”

Respeitamos a sua opinião (expressa, aliás, com insofismável convicção), mas não nos revemos nela, pelo seu negativismo original.

Aquilo a que chama de “Grupo Adulterado”, chamamos nós a Maior Riqueza do nosso Povo: a sua diversidade Cultural!

É a partir dela que devemos crescer, politica, social e economicamente, conhecendo-nos e respeitando-nos mutuamente!

O discurso do nosso Povo não é esse, para onde aponta a sua afirmação! É mais eloquente do que pensa!

A senhora tem o palco da escrita, para se manifestar!

O nosso Povo não! Mas está atento, à escuta do momento da Verdade, para se fazer ouvir! O nosso Povo é muito inteligente! Não se pode subestimá-lo! Não se deve!

O Desnorte

Tanto a senhora, como nós, conhecemos essa realidade, que compõe o nosso mosaico étnico, a nossa sociedade! Essa não está em discussão! E ainda bem!

O mal está, quando se faz mau uso dessa realidade, como, muitas vezes, ocorreu, na nossa História recente.

Não por casualidade ou mero acidente, mas, por acção humana, devidamente motivada no mesquinho interesse de grupo, sendo essa a principal causa do “desnorte”, de que a senhora fala, no seu artigo, mas com outro sentido, menos conforme à verdadeira realidade.

Porque é, nesse “desnorte”, herdado do período colonial, que reside a principal causa da instabilidade política e social, de que o nosso País dá sinais, de vez em quando.

Essa instabilidade, que é uma causa de bloqueio ao Desenvolvimento do País, tem a sua origem no esforço titânico de uma parte da nossa População (minoritária), culturalmente desenraizada, que se empenha em manter, no Pais, situações de privilégios intocáveis, em beneficio exclusivo da sua reduzida e improdutiva subclasse social.

A senhora tem a coragem de se situar, o que tem a sua vantagem.

Precisamos modificar isso, através do pensamento positivo e inclusivo, para construirmos uma Nação sólida, virada para o Progresso e Desenvolvimento e menos propensa a guerrilhas de agiotagem, em busca do ganho fácil, muitas vezes, através da conspiração internacional.

É preciso exemplificar? Certamente que não!

Claro que é preciso discutir o País, com coragem e elevação, antes que seja tarde demais!

Os leões rugem de todos os cantos!... sob a capa da falsidade, fazendo-se passar por amigos!...

Não deve ser o egoísmo de grupo que impedirá esse diálogo tardio, cuja falta já fez muita mossa, prejudicando apenas quem não tem culpa no cartório!...


A nossa Maior Riqueza!

Concluindo o seu artigo, apresenta o seguinte pensamento:

“No desnorte, as ideias que despontam têm que obrigatoriamente ter um nome. Para assim e depois, podermos falar de valores sociais, do nosso mosaico étnico e nossa principal riqueza, de povo e de existência nacional.“
Nisso estamos de acordo: a nossa maior riqueza é o nosso Mosaico Étnico (para usar a sua expressão)!

Nós somos isso mesmo, pela positiva, no sentido mais construtivo dessa riqueza de Povo e da Nação que somos!

Só falta uma coisa: assumi-lo como tal…como uma Riqueza do nosso Povo!

Da mesma forma que a Riqueza Natural de um País (do Solo ou Subsolo) não existe para o Homem, enquanto não for conhecida e trabalhada, assim, também, a Riqueza Cultural de um Povo só se torna um Valor (social, cultural e económico) quando se conhece e se torne útil à Sociedade de que emerge, podendo transformar-se num património da Humanidade!

A diversidade bem gerida é factor de Progresso e Desenvolvimento e não o seu contrário! Não conhecemos Guineense nenhum que ponha em causa tal Riqueza!

Na Economia, a diversidade é a essência da competitividade, que, por sua vez, gera a Riqueza. Assim, também, na Sociologia Humana e na Politica!

Mas ouve-se muitas vezes dizer que essa Riqueza é manipulada por gente menos recomendável, que só pensa no seu próprio interesse, no ganho imediato.

O problema não está, pois, no Mosaico, nem na Riqueza Cultural do nosso Povo, mas na sua manipulação por gente impreparada para gerir o nosso interesse comum: o interesse da Paz, da Estabilidade e do Desenvolvimento partilhado, com sentido social.

Mas, parece-nos que a senhora tem medo dessa Cultura, porque fala em “desnorte”, em “reacção” àquilo e aqueloutro. Porque será?

CONCLUSÃO

A criação de uma plataforma de comunicação, como a nossa, não aparece motivada em qualquer tipo de “desnorte” (para usar a sua expressão), nem visa provocar “desnorte” de qualquer natureza, do mesmo modo que não entendemos que seja essa a intenção de certas publicações online, geridas por Guineenses (por ex., a Ditadura do Consenso, etc.).

Por isso, repudiamos, energicamente, a propensão para a suspeição sistemática, que emerge das suas afirmações, quando fala em “recusar categorizações”, em “desforras”, “desnortear e afastar do vilipendiado propósito nacional: um só Estado, uma só Nação!” Porque nada disso está em causa!

A dialéctica comunicativa é um valor social, não uma ameaça, seja do que a senhora possa pretender dar a entender!

Quanto a nós, a srª Drª entendeu bem o alcance do nosso Blog, pela forma positiva como concluiu a sua mensagem, conforme destacámos anteriormente.

Nós somos portadores dessa diversidade cultural, que impregna a Humanidade inteira, hoje em dia, mas, duma maneira especial, da nossa sociedade, que é, em parte, produto da Cultura Colonial, na qual (diga-se) a maioria das nossas Etnias não se reconhece, mas aprecia e respeita os Valores da Civilização de que emerge.

São coisas totalmente diferentes! O Mundo Moderno é composto dessa diversidade, do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul!

O mal está em que muita gente não sabe estabelecer a diferença e cometem-se muitos erros, á conta disso!...

Erro contra a Humanidade, contra o nosso Povo, muitas vezes, achincalhado, apenas para satisfação de interesses egoístas de algumas (poucas) pessoas, de grupos sociais ou de potências económicas, de olho posto nos recursos do País! Por isso, hão-de conspirar, todos os dias, para nos dividir…para poderem reinar!

É por esse motivo nobre que nos impomos o dever de pensar e de reflectir sobre a nossa realidade, enquanto Comunidade Nacional, composto pelo seu maravilhoso Mosaico Étnico!

Não para dividir, mas para unir e fortificar, de forma consciente e operante, o contrário da forma oportunista, como se fez, no passado, e se continua a fazer, no presente, pela via da corrupção e da conspiração.

Um Povo que não pensa, degenera! Um Povo que pensa, pode sofrer contrariedades, mas acaba prosperando! Vamos prosperar? Seguramente!

É evidente que tal não acontece do dia para a noite!

Da Sabedoria Antiga, ouvimos dizer que “Roma e Pavia não se fizeram num dia!”

Do mesmo modo, o nosso País, a Guiné-Bissau, não se fará num dia, nem nos Quarenta Anos de Independência, que está prestes a celebrar, mergulhado em graves incertezas!...

Muita tinta e suor terão que ser despendidos, até que, um dia, o País se transforme num lugar digno para se viver, para todos os seus Filhos, como já se vive, actualmente, nos Países mais desenvolvidos do Mundo!

Cara Compatriota, contamos consigo, em futuras intervenções!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Replica ao Deputado Sola Nquilim Na Bitchita

Na sessão ordinária da Assembleia Nacional Popular, do dia 27 do corrente, ficou marcada com a intervenção do deputado Sala Nquilim Na Bitchita, um dos dirigentes do Partido da Renovação Social (PRS), que há anos se destaca como a segunda maior força política, ou seja, a primeira da oposição. Durante a sua fala, Sola afirmou ser inaceitável que figuras que cometeram crimes durante o período de transição que se seguiu ao golpe militar estejam a passear impunemente no país, enquanto os dirigentes derrubados pelo movimento se encontram no estrangeiro contra as suas vontades.

Ainda, o deputado defendeu ser um absurdo, o facto que figuras como o ex-presidente interino Raimundo Pereira, o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o ex-ministro da Defesa e líder partidário Iancuba Indjai não possam regressar ao país, depois da retoma da normalidade constitucional, com a realização de eleições e posse de novas autoridades, em 2014. Pois, considerou que ainda não há condições de segurança para o regresso ao país dos líderes derrubados no golpe de Estado de 2012, por isso, pediu ao Governo para as criar.

Ouvindo tudo isso, infelizmente, lamento bastante da impetuosa vontade e prazer dos nossos políticos em insinuar e difundir sempre uma imagem de país de instabilidades e conflitos. Jamais lhes apetecem em enaltecer algo reconhecidamente positivo dos guineenses, e sim, relutantemente conspiram para ridicularizá-los.

Eu, modestamente, defendo que a qualquer cidadão assiste todo direito de regressar ao país, seja lá quando for que lhe apetece. Porém, nesse tom da intervenção do Sr. Deputado, transmite do país, um clima de caça aos bruxos, quando bem sabemos que o ambiente da vivencia política e social do país é de extremo sossego e paz. Ou melhor, não tem indicio algum de perseguição e ameaça contra integridade física de qualquer um. Tanto que, alguns dos nossos concidadãos vitimas de algum movimento militar e político, e antigos dirigentes políticos do país depostos em consequência de golpe do Estado de 12 de Abril de 2012, regressaram ao país, e por lá fazem tranquilamente as suas vidas. Pelo menos até então, não foi registrada alguma denuncia de ameaça e tentativa de retaliação contra as suas integridades física.

Adiato Nandigna e Fernando Gomes, foram antigos dirigentes políticos do país antes de 12 de Abril de 2012, que depois foram para Portugal por algum tempo, igualmente, Carlos Gomes Jr. e Raimundo Pereira, mas, os dois primeiros voltaram voluntariamente ao país, levam tranquilamente as suas vidas por lá, e, porque razão as demais figuras devem merecer outra cortesia para se regressarem?

Alias, curiosamente, gostaria de saber, por onde andava o Sr. Deputado, que lhe faltava garganta em levantar a sua voz de incansável ativista dos direitos de segurança dos cidadãos guineenses, quando Faustino Imbali foi barbaramente espancado e impedido de viajar para tratamentos médicos?

Por onde andava o Sr. Deputado, quando os familiares do Presidente Nino, General Tagme, Helder Proença, Baciro Dabó e Tito Intchala, exigiam a garantia dos seus direitos em assistir julgamento dos assassinos dos seus entes queridos.

Por onde andava o Sr. Deputado, quando Pedro Infanda, em exercício da sua profissão, sendo advogado constituído pelo Contra-almirante Bubu Natchuto, em sua defesa, foi brutalmente espancado, e padecia bastante para conseguir uma junta medica, a fim de se tratar.

Por onde andava o Sr. Deputado, quando os familiares do Roberto Cacheu faziam e fazem mil correrias para obterem a informação do paradeiro do seu membro, até então, sem sucesso.

O dirigente do Partido da Renovação Social (PRS) afirmou ser inaceitável que figuras que “cometeram crimes” durante o período de transição que se seguiu ao golpe militar estejam a “passear impunemente” no país, enquanto os dirigentes derrubados pelo movimento se encontram no estrangeiro “contra a sua vontade” Ler intervenção complea de Sola Nquilin (aqui»»)

Essa acusação do Sr. Deputado é muito vago, o que demostra ressentimento e ódio recalcado contra os dirigentes políticos do período da transição após golpe de 2012, porque, senão for, pelo menos que seja mais imediato na sua acusação.

Caro deputado, já é tempo de assumirem seriamente as devidas responsabilidades, e deixarem de politiques movidos de ambições egoístas. Pois, já estamos fartos de ver desenvolvimento do nosso país a ser comprometido, assim como, nossos futuros e dos nossos irmãos a serem adiados.

Viva Guiné-Bissau,
Viva unidade nacional,
Viva paz e desenvolvimento.

“Um dia no kabas na sabi, nona kume toku no limbi mon.”


Nataniel Sanhá (Velho Nael)

Uma fruta que não caiu! – IX


Por, Martinho Júnior, (textos anteriores)

24 – Ao tornar Cuba, a partir do período especial em 1991, num “laboratório experimental” onde foram aplicadas as mais variadas técnicas e acções de terrorismo e propaganda (por parte de redes de características fascistas fieis a Fulgêncio Batista de exilados cubanos residentes sobretudo na Florida, estimulados pelos serviços de inteligência norte americanos) e ingerência directa em assuntos internos de carácter sócio-político e psicológico de Cuba (inclusive a partir dos Escritórios Representativos dos Estados Unidos da América em Havana), ou indirecta utilizando canais apropriados, foram conjugadas as políticas de bloqueio e guerra psicológica a um nível sem precedentes.

Até 2013, segundo Salim Lamrani, em “50 verdades sobre a Revolução Cubana”, Cuba sofreu “mais de 6 mil atentados, que custaram a vida de 3.478 civis e incapacitaram 2.099 pessoas.

Os danos materiais são avaliados em vários bilhões de dólares e Cuba teve de gastar somas astronómicas em sua segurança nacional, o que limitou o desenvolvimento dos programas sociais.

O próprio líder da Revolução foi vítima de 637 tentativas de assassinato”…

Os Estados Unidos prolongaram de facto a Guerra Fria contra Cuba, muito para lá do episódio do derrube do muro de Berlim e ao fazê-lo assumiram as vestimentas dum autêntico estado terrorista!

25 – O bloqueio não foi pois um simples “embargo económico”, por que as técnicas aplicadas na sua geometria variável foram sempre conjugadas e intimamente associadas a actos de inteligência, ingerência, manipulação, desestabilização, sabotagem e terrorismo, visando de algum modo hostilizar, ou transformar a vontade do povo cubano, procurando-o desviar do seu rumo socialista, procurando subverter a democracia participativa por que se regem estado e sociedade, procurando minar a sua capacidade de resistência e procurando inibir inclusive todos aqueles que se relacionam duma maneira ou de outra com Cuba, como por exemplo os simples turistas que vão em busca de paz e de lazer, de contacto humano e de contacto com a natureza!...

Têm sido vários os substratos sociais autóctones em Cuba que têm sido alvo preferencial da ingerência “laboratorial” norte americana e do seu labor em função dos conceitos que se prendem ao pregão de “liberdade democrática” em prol dum modelo de “democracia representativa” moldado pelos interesses e conveniências do império, entre eles, por exemplo:

- A intelectualidade, duma forma geral, incluindo cientistas, médicos, artistas… assim como algumas instituições ou organizações a que eles tenham aderido;

- A juventude, em especial aquela que tende a usar alguma das múltiplas capacidades instaladas nos telemóveis e computadores;

- Trabalhadores independentes, particularmente blogueiros e jornalistas;

- Familiares de contra-revolucionários presos, que respondem directamente aos estímulos (e pagamentos) da ingerência;

- Igrejas cujo carácter ou perfil possa ser vulnerável a financiamentos especializados feitos por adequados canais;

- Instituições ou organizações vocacionadas a acções sócio-políticas que conformam os propósitos directos da contra-revolução.
 
26 – Os Serviços de Inteligência norte americanos, em especial a CIA, utilizam canais como a USAID (“Agência dos Estados Unidos para a Assistência Internacional”) ou a NED (“National Endowment for Democracy”), ou seus “desdobramentos” que podem incluir canais por via de outros países latino americanos, que colocam ao dispor manancial humano para as operações em curso, evitando detenções como a ocorrida com o espião norte-americano Alan Gross, apesar dos riscos que correm os agentes assim recrutados e instrumentalizados.

Esse procedimento ajusta-se também melhor, de acordo com a perspectiva de ingerência norte americana, com a arregimentação que faz dos círculos mais reaccionários de migrantes cubanos na Florida redundantes dos apoiantes de Fulgêncio Batista, inclusive de organizações que têm pautado sua actuação utilizando medidas terroristas, que o foram desde a invasão ocorrida em Praia Girón, até à colocação de bombas em hotéis, ou à explosão no ar de aviões civis cubanos com a utilização de cargas explosivas colocadas através de suas operações.

O FBI tem tido conhecimento e ligação com esses grupos terroristas, conforme outro exemplo: um documento próprio com data de 23 de Setembro de 1977 que foi publicado por investigadores porto-riquenhos que a ele tiveram primeiro acesso.

O documento revela conhecimentos acerca da organização terrorista com as siglas CORU (“Coordinación de Organizaciones Revolucionarias Unidas”), a que pertenciam a essa data Luis Posada Carriles, Orlando Bosch e Frank Castro, reconhecidos autores do atentado a uma aeronave da “Cubana”, que causou explosão do aparelho e a morte de 73 de todos os seus ocupantes.

Os Estados Unidos que colocaram Cuba na lista dos “estados terroristas”, foram denunciados dezenas de vezes, ano após ano, como os promotores de actos terroristas dessa natureza, em função da protecção e estímulo que organizações como essa sempre mereceram em seu território ou a partir dele, espalhando o seu “perfume” pela América Latina.

A persistência desse contexto, levou a que os Serviços de Inteligência cubanos se decidissem a infiltrar esse tipo de organizações terroristas e criminosas, a fim de melhor poder defender Cuba de suas acções, para além de estabelecer “cordões sanitários” que isolassem outros sob a mesma tutela, a actuar dentro do seu próprio território e fazendo uso da independência e da soberania revolucionária!

Ao transformar Cuba num “laboratório experimental” dessa natureza, os Estados Unidos não podiam esconder que o que priorizavam em direcção a Cuba, iriam depois aplicar um pouco por todo o Mundo e também na América Latina, pelo que a percepção dos fenómenos que artificiosamente desencadeava, pouco a pouco acabou por ser cada vez mais entendida por cada vez maior número de estados e de entidades, até aos seus detalhes mais íntimos.

Os Estados Unidos não podem esconder hoje que, sempre que assim actuarem são um estado terrorista nos seus relacionamentos internacionais e por isso mesmo se tornaram um verdadeiro santuário de terroristas, no caso de Cuba ao nível de organizações como a CORU! 

Os países vulneráveis do Terceiro Mundo percebem por outro lado, que resistências poderão ser estimuladas, que respostas no quadro dessas resistências devem ser encontradas, que argumentos sócio-políticos poderão mobilizar de forma a, ao mesmo tempo, aprofundar a democracia, livrando-a de nefastas representatividades e tornando-a efectivamente cada vez mais participativa!

Hoje é possível perceber como são geradas as “revoluções coloridas”, ou as “primaveras árabes”, como se mobilizam, como actuam e quais os objectivos de que se nutrem, por que durante décadas os Estados Unidos assumiram-se enquanto estado terrorista pelo que puseram em prática no“laboratório experimental” de Cuba!

Com esse conhecimento a América Latina percebeu quão importante é a integração, quão importante é a revolução bolivariana, quão importante é gerar culturas de resistência (particularmente com o concurso de culturas indígenas, como na Bolívia), quão importante é a mobilização popular e a equação de suas organizações sociais, quão importante é, salvaguardando para a sua causa as oligarquias patrióticas, colocar as oligarquias anti-patrióticas arregimentadas pelo império contra a parede impedindo a sua vassalagem e instrumentalização, ou seja, desmascarando os seus procedimentos comprometidos só possíveis no âmbito dos espectros mais conservadores que definem as “democracias representativas”!

Cuba, (entenda-se seu Povo, sua Revolução e seus heróis), é um farol e simultaneamente um exemplo que todos os progressistas, nos países vulneráveis do Terceiro Mundo devem estudar, para entender por que razão há tanta pressão para tornar impactantes determinados factores sócio-políticos que, por via do capitalismo neo-liberal, por via da “abertura dos mercados”, aderem “por osmose”, ao arregimentar oligarquias anti-patrióticas, aos interesses e conveniências da aristocracia financeira mundial!

A doutrina de choque, tem sido aplicada a Cuba de forma permanente e persistente, desde o início da Revolução Cubana e agora não pode  mais passar despercebida aos olhos de todo o Mundo!

Por que Cuba foi um fruto que não caiu, é hoje possível, mais do que antes, avaliar as capacidades de ingerência do império instrumentalizando os processos de globalização com características de hegemonia unipolar, da propositada supremacia das culturas anglo-saxónicas, da instrumentalização das “revoluções coloridas” e das “primaveras árabes”, bem como de elitismos que, sendo inteligentes, acabam por desembocar nos mesmos objectivos de jugo e domínio ao fazer ascender e consolidar o poder de 1% sobre o resto da humanidade!

Notas:
- 50 verdades sobre a revolução cubana aqui»»

- A luta cubana contra o terrorismo (ler aqui»»)

- Según un documento secreto descubierto por investigadores puetorriqueños  El FBI designa a Luis Posada Carriles, Orlando Bosch y Frank Castro como “responsables del desastre de Cubana de Aviación” (ler aqui»»)
  

Gravura representativa da simbiose CIA-USAID

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Governo de Domingos Simões Pereira, lança concurso para criação de Logotipo do evento

O Governo lançou um concurso nacional, com um premio no valor de um milhão de Francos Cfa, para a criação de logotipo sobre a Mesa Redonda de Bruxelas, à realizar-se em 25 de março deste ano.

O anúncio foi feito através de um comunicado do gabinete do Primeiro-ministro à que a ANG teve acesso.

“São admitidos ao concurso todas as obras de autores guineenses residentes no país e na diáspora, bem como de cidadãos estrangeiros residentes na Guiné-Bissau”, informa o regulamento do concurso.

Segundo a nota será premiada uma única obra selecionada pelo corpo de júri do concurso e podendo, por isso, ser utilizada sem quaisquer restrições.

Referente a classificação do concurso é expressa numa escala de zero (0) a dez (10) valores, determinados nos seguintes termos; a) Melhor mensagem versus conteúdo temático da Mesa Redonda; b) Melhor expressão artística; c) Melhor apresentação do design gráfico.

Quanto a constituição do júri do concurso, esta terá três elementos sendo um do Comité Operacional, outro do Subcomité da Comunicação e um terceiro, especialista em arte de Design Gráfico.

Sobre a inscrição dos concorrentes, diz-se que todos podem inscrever-se diretamente, no Concurso Nacional do Logotipo, bastando para isso ter aptidão em arte de design gráfico e mediante a apresentação de duas propostas de logotipo, em versão eletrónica (gravadas em disco -CD), em envelope fechado e dirigido ao Comité Operacional.

O prazo para a inscrição ao concurso, conforme a nota será de 26 de Fevereiro de 2015 a 05 de Março do mesmo ano, devendo as propostas serem entregues na Secretária-geral do Ministério da Comunicação Social, que posteriormente as encaminhará para o Comité Operacional.


O presente regulamento, para os efeitos de Concurso de Logotipo, foi aprovado em reunião do Comité Operacional.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Primeiro-ministro guineense minimiza alegado clima de tensão com o Presidente

O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira foi recebido hoje em audiência pelo Presidente José Mário Vaz para evocar com ele os preparativos da mesa redonda de doadores marcada para 25 de Março em Bruxelas, o chefe do governo guineense tendo indicado que a União Europeia vai pagar a deslocação da comitiva do seu país à reunião.

Ao dar conta da sua satisfação com os sinais que tem recebido relativamente à perspectiva da mesa redonda, o primeiro-ministro comentou igualmente o clima de tensão que alegadamente reina entre ele e o Presidente guineense, desentendimentos que de acordo com o ultimo relatório do representante especial do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Miguel Trovoada, poderiam ser um factor potenciador de instabilidade.


A saída do seu encontro de cerca de duas horas e meia com o Chefe de Estado, o primeiro-ministro reconheceu a delicadeza das coisas que tem tratado com o presidente mas referiu estar "satisfeito por nenhum dos dois fugir dos assuntos difíceis". Ouvir aqui»

domingo, 15 de fevereiro de 2015

ATÉ UM DIA, PRESIDENTE!

O MPLA está no poder desde 1975 e por lá vai ficar. Com o poder absoluto que tem nas mãos (é também o presidente do MPLA e chefe do Governo), José Eduardo dos Santos é um dos ditadores ou, na melhor das hipóteses, um presidente autocrático, há mais tempo em exercício.

Por Orlando Castro

África, em nada abona do ponto de vista democrático e civilizacional a seu favor. Sabe todo o mundo, mas sobretudo e mais uma vez África, que se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. É o caso em Angola.

Só em ditadura, mesmo que legitimada pelos votos comprados a um povo que quase sempre pensa com a barriga (vazia) e não com a cabeça, é possível estar tantos anos no poder. Em qualquer estado de direito democrático tal não seria possível.

Aliás, e Angola não foge infelizmente à regra, África é um alfobre constante e habitual de conflitos armados porque a falta de democraticidade obriga a que a alternância política seja conquistada pela linguagem das armas. Há obviamente outras razões, mas quando se julga que eleições são só por si sinónimo de democracia está-se a caminhar para a ditadura.

Com Eduardo dos Santos passa-se exactamente isso. A guerra legitimou tudo o que se consegue imaginar de mau. Permitiu ao actual presidente perpetuar-se no poder, tal como como permitiu que a UNITA dissesse que essa era (e pelo que se vai vendo até parece que teve razão) a única via para mudar de dono do país.

É claro que, é sempre assim nas ditaduras, o povo foi sempre e continua a ser (as eleições não alteraram a génese da ditadura, apenas a maquilharam) carne para canhão.

Por outro lado, a típica hipocrisia das grandes potências ocidentais, nomeadamente EUA e União Europeia, ajudou a dotar José Eduardo dos Santos com o rótulo de grande estadista. Rótulo que não corresponde ao produto. Essa opção estratégica de norte-americanos e europeus tem, reconheça-se, razão de ser sobretudo no âmbito económico.

É muito mais fácil negociar com um regime ditatorial do que com um que seja democrático. É muito mais fácil negociar com alguém que, à partida, se sabe que irá estar na cadeira do poder durante toda a vida, do que com alguém que pode ao fim de um par de anos ser substituído pela livre escolha popular.

É, como acontece com José Eduardo dos Santos, muito mais fácil negociar com o líder de um clã que representa quase 100 por cento do Produto Interno Bruto, do que com alguém que não seja dono do país mas apenas, como acontece nas democracias, representante temporário do povo soberano.

Bem visível na caso angolano é o facto de, como em qualquer outra ditadura, quanto mais se tem mais se quer ter, seja no país ou noutro qualquer sítio. Por muito pequeno que seja o ditador, o que não é o caso de José Eduardo dos Santo, a História mostra-nos que tem sempre apreciável fortuna espalhada pelo mundo, seja em bens imobiliários (como era tradição) ou mais modernamente nos paraísos fiscais.

Reconheça-se, entretanto, a estatura política de José Eduardo dos Santos, visível sobretudo a partir do momento em que deixou de poder contar com Jonas Savimbi como o bode expiatório para tudo o que de mal se passava em Angola.

Desde 2002, o presidente vitalício de Angola tem conseguido fingir que democratiza o país e, mais do que isso, conseguiu (embora não por mérito seu mas, isso sim, por demérito da UNITA) domesticar completamente todos aqueles que lhe poderiam fazer frente.

Não creio que, até pelo facto de o país ter estado em guerra dezenas de anos, José Eduardo dos Santos tenha as mãos limpas de sangue. Aliás, nenhuma ditador com 36 anos de permanência seguida no poder, tem as mãos limpas.

Mas essa também não é uma preocupação. Quando se tem milhões, pouco importa como estão as mãos. Aliás, esses milhões servem também para branquear, para limpar, para transplantar, para comprar (quase) tudo e (quase) todos.

Tudo isto é possível com alguma facilidade quando se é dono de um país rico e, dessa forma, se consegue tudo o que se quer. E quando aparecem pessoas que não estão à venda mas incomodam e ameaçam o trono, há sempre forma de as fazer chocar com uma bala.

Acresce, e nisso os angolanos não são diferentes dos portugueses ou de qualquer outro povo, que continua válida a tese de que “se não consegues vencê-los junta-te a eles”. Não admira por isso que José Eduardo dos Santos tenha cada vez mais fiéis seguidores, sejam militares, políticos, empresários e até supostos jornalistas.


É claro que, enquanto isso, o Povo continua a ser gerado com fome, a nascer com fome, e a morrer pouco depois… com fome. E a fome, a miséria, as doenças, as assimetrias sociais são chagas imputáveis ao Poder. E quem está no poder há 36 anos é sempre o mesmo, José Eduardo dos Santos. Até um dia, como é óbvio.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Paulo Sanha pede que juízes estejam acima de qualquer suspeita

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Sanha, apelou esta terça-feira, 3 de Fevereiro, aos juízes no sentido de estarem acima de qualquer suspeita e equidistantes de todos os intervenientes nos processos, salvaguardando assim uma Justiça séria, isenta, independente e imparcial.

Paulo Sanha fez estas declarações à imprensa durante a cerimónia de tomada de posse de novos juízes dos tribunais regionais, incentivando-os na promoção de uma justiça célere, processual e na produtividade no exercício da magistratura sem prejuízo de qualidade jurídica das suas decisões, o que tem sido motivo de críticas ao funcionamento do tribunal, fenómeno que garantiu combater sem tréguas.

Preocupado com a reforma no sistema judicial guineense, Paulo Sanha reafirmou que não aceita nem vai aceitar medidas reformistas que visam alterar o ofender os princípios Constitucionais, a separação de poderes e a independência dos tribunais, fruto das conquistas dos magistrados judiciais há mais de duas décadas.

«Estamos conscientes de que as acções dos tribunais não pertencem exclusivamente ao âmbito da competência judicial, pois a função de fazer direito constitui uma responsabilidade do Estado no seu todo, adoptando medidas legislativas com vista à promoção de uma Justiça mais eficaz e célere», disse Sanha.

Por outro lado, o responsável máximo da magistratura judicial guineense sublinhou que a compreensão dos factores necessários de interacção dos actores, a dinâmica dos processos e as regras de fundamento numa abordagem interdisciplinar de desempenho do sistema judicial, interdependência, a eficiência e efectividade pelos resultados, e a acessibilidade, supõem um equilíbrio nacional e sistémico, sem maximização ou desdém que supere qualquer das dimensões.

«A realização da Justiça é uma virtude, uma arte complexa que requer perseverança dedicação e amor à profissão», referiu.

Neste sentido, Sanha reconheceu que não é fácil ser juiz numa sociedade como a da Guiné-Bissau, pois o nível de cultura jurídica é baixo, onde muitas vezes também os possuidores do domínio do conhecimento manipulam a maioria inexperiente à mercê dos seus interesses ou para justificar os insucessos no foro judicial, criando de certo modo uma tensão social contra magistrados, passando a ser vistos como «diabos».

«Enquanto garantes jurisdicionais, dos direitos fundamentais dos cidadãos e da cidadania, devemos pugnar-nos pela isenção e imparcialidade, promovendo uma Justiça objectiva e célere a todos os cidadãos, independentemente o seu estrato socioeconómico ou cultural», referiu Sanha.

A terminar, o Presidente do STJ chamou a atenção dos empossados sobre a necessidade de se absterem de certos comportamentos que põem em causa a boa imagem dos tribunais, nomeadamente a promiscuidade com as partes processuais ultimamente veiculadas, adequando-se as regras de conduta e deontologia profissionais para a criação de confiança da população no sistema judicial.


//PNN