quarta-feira, 1 de julho de 2015

Quase metade da população ainda utiliza fontes não melhoradas de abastecimento de água

Os técnicos sanitários revelaram que, na Guiné-Bissau, 44 % da população ainda utiliza fontes não melhoradas de abastecimento de água, que muitas vezes contêm altos níveis de contaminação.

Os dados foram avançados esta terça-feira, 30 de Junho, à PNN, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INASA), durante a cerimónia de apresentação de um seminário intitulado «Prevenir doenças humanas através de uma saúde animal e ambiental».

Trata-se de uma iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Saúde Publica, da Direcção-geral da Pecuária, do Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas, da ONG Acção para o Desenvolvimento, da União Internacional para Conservação da Natureza e do SWISSAID.

Esta apresentação refere que a biodiversidade vegetal tem benefícios tanto para a saúde como para a economia, porque tem sido a maior fonte de medicamentos naturais até à data.

«As alterações no ambiente também ameaçam o nosso abastecimento natural de água doce, os ecossistemas ajudam a regular o fluxo de água e a quantidade de sedimentos e contaminantes nos nossos recursos hídricos», destaca documento do INASA.

Noutro capítulo, a apresentação do INASA revela o aumento do contacto entre a população e a fauna selvagem, dando como exemplo a infecção por vírus Nipah (Malásia, 1998) originada pela migração de morcegos da Indonésia para a vizinha Malásia, infectando espécies de suínos e depois humanos, e o Hantavirose (zoonoses virais agudas transmitidas por roedores), que se verifica quando, na procura de alimentos, os roedores silvestres entram nas povoações.

«A desflorestação destrói a diversidade de mosquitos e apenas as espécies mais fortes sobrevivem à paisagem desmatada, que apresenta clareiras e reservatórios de água expostos à luz, que constituem um ambiente perfeito para a reprodução do vector transmissor do paludismo», sublinha o documento.

No capítulo de introdução o documento informa que, actualmente, muitos dos desafios globais da saúde estão ligados ao declínio da biodiversidade e dos ecossistemas, onde se precisa da variedade da vida animal e vegetal para uma adequada alimentação humana, a desflorestação e a queima.

«As dioxinas (poluentes orgânicos persistentes), são libertadas e causam danos no sistema reprodutivo, imunitário, interferem com as hormonas e ainda estão associadas aos muitos cancros», refere o INASA com base nos dados da OMS de 2014, com um tempo duração que varia entre os sete e os 11 anos.

Uma das preocupações levantadas por esta instituição durante a presentação prende-se problemas dos gases estufa, que causam problemas respiratórios, alergias, dores peitorais e irritação na garganta.

No capítulo de desflorestação e seca, o texto descreve que a seca pode propiciar o aparecimento de vectores e de animais reservatórios, devido à procura de água junto das habitações, doenças respiratórias, redução da qualidade do ar, mãos infectadas, sendo muito frequente a diminuição da higiene devido à escassez de água. A qualidade do ar é o principal risco ambiental para a saúde.

«A desflorestação influencia a qualidade do ar, que por consequência tem o seu efeito negativo na saúde humana, nomeadamente doenças respiratórias (agudas e crónicas), cancro dos pulmões, doenças cardíacas», sublinha o documento.

No que concerne às chuvas ácidas, o documento informa que estudos epidemiológicos sugerem uma ligação directa entre a acidez atmosférica e a saúde das populações, descervendo que o cobre libertado foi implicado em algumas epidemias de diarreia em crianças e o aumento da ocorrência de casos da doença deAlzheimer por contaminação da água com alumínio.

Quanto a perspectiva de controlo sanitário na Guiné-Bissau, o INASA defende que a manutenção dos ecossistemas é absolutamente vital para a prevenção de doenças e promoção de uma boa saúde, informando que muitas doenças humanas importantes tiveram origem em animais, e assim, as mudanças nos habitats de populações animais podem afectar a saúde humana, positiva ou negativamente.

A prática diária de cuidados básicos de higiene, a observação das medidas de biossegurança por parte do pessoal de saúde, a criação/reforço do sistema de vigilância e notificação comunitária, constam ainda entre as perspectivas de controlo sanitário defendidas pelo Governo, através do INASA.

O documento termina com recomendações sobre implementação do Regulamento Sanitário Internacional, sobretudo nos pontos de entrada (aeroportos, portos, fronteiras terrestres), sensibilização comunitária com implicação das rádios comunitárias, líderes comunitários, promover a criação de um observatório para o seguimento da interacção saúde Vs. biodiversidade e mudanças climáticas, a criação de estruturação das redes de laboratórios para a vigilância, investigação e resposta, assim como o reforço das capacidades institucionais para a operacionalização das acções entre os sectores concernentes.

\\PNN

Trezentos e Sessenta e Cinco

Por, Geraldo Martins
Ministro da Economia e Finanças da Guiné-Bissau

Estava um dia quente e abafado. As nuvens húmidas do final do mês de Junho haviam dispersado no céu em franjas brancas como algodão doce e o calor sufocante do início da tarde convidava para um mergulho nas águas de um mar tépido e calmo.

Saí de casa no meu Ford Edge 2009 e dirigi-me para um gabinete médico situado a pouco menos de quinhentos metros, no mítico bairro de Mermoz, em Dakar.

Quando o meu condutor parou completamente a viatura, desci do carro, atravessei precipitadamente o pequeno portão metálico esverdeado e entrei no edifício, após tocar levemente a campainha.

– É para a consulta com a Dra Silvye – disse em voz baixa à recepcionista.

Ela mandou-me sentar, após ter-me identificado nos ficheiros. Prostrado num sofá na sala de espera, pus-me a folhear as revistas espalhadas por cima da mesinha à minha frente, de vez em quando levantando a cabeça para olhar para a televisão afixada num canto da parede.

Alguns minutos depois, a recepcionista fez-me sinal para me dirigir ao consultório da Dr.ª Silvye. Levantei-me e dei alguns passos. Já no meio do corredor, um sincrónico clique do meu iphone 4 despertou a minha atenção. Parei, hesitando se devia logo ler a mensagem ou deixar para depois. Uns cinco segundos depois, carreguei no botão para iluminar o écran e vi a mensagem.

Estremeci.

Num instante, senti a adrenalina a atravessar o meu corpo. A ansiedade é uma desordem difícil de controlar. É óbvio que eu sabia que aquela mensagem estaria a caminho, podendo chegar a qualquer momento. Ainda assim, o meu coração deu um ligeiro pulo de susto quando li o texto:

DSP
TOMADA DE POSSE DO GOVERNO AMANHÃ À TARDE.

Já dentro do consultório, enquanto a Dra Silvye me ajeitava suavemente o pescoço diante de um sofisticado aparelho, preparando-se para medir a minha tensão ocular, eu pensava na profunda mudança na minha vida a partir daquele momento.

Ia largar um emprego que me fazia feliz. O que quer que se diga, trabalhar no Banco mundial é uma experiência fabulosa. Não conheço nenhuma outra organização no mundo com tamanha concentração de talentos, onde se aprende todos os dias e onde o conhecimento é a coisa mais bem partilhada. Além disso, o emprego dava-me uma confortável estabilidade financeira.

Mas o que mais me afligia é que não poderia levar a minha família para Bissau. Sentiria falta do abraço caloroso dos meus filhos quando chegava à casa ao início da noite e o Denzel, o Geovani e a Mamy se apressavam para me despir ainda na sala, cada um depois levando uma peça de roupa para o quarto lá em cima. Todavia, a decisão estava tomada e não havia mais voltas a dar. No dia seguinte, peguei o primeiro voo e aterrei em Bissau.

Eis que passaram trezentos e sessenta e cinco dias desde aquela tarde em que recebi o sms no meio de um consultório. Trezentos e sessenta e cinco dias durante os quais participei num esforço complexo de governação do país.

Olhando as coisas em retrospectiva, em que estou a pensar?

Aconteceram várias coisas e vivemos muitas peripécias. Mas penso que dois fenómenos estão sobretudo a definir a nossa sociedade hoje – o restabelecimento do contrato social e a mudança do debate público.

Pouco a pouco, a crença de que o Estado é capaz de ser um provedor de bens públicos está a instalar-se. Os salários de todos os servidores públicos, incluindo o pessoal das representações diplomáticas, estão a ser pagos regularmente. O país está a honrar cabalmente as suas obrigações de pagamento do serviço da dívida externa. As casas das famílias em Bissau têm luz eléctrica e água canalizada quase vinte e quatro horas por dia. A iluminação pública chegou a 28 vilas do interior, dando vida nocturna a essas localidades. O ano lectivo 2014/2015 iniciou-se a tempo e vai concluir a tempo, sem grandes sobressaltos e com os programas cumpridos.

Além disso, as estradas de Bissau estão a ser reabilitadas. Graças em parte a políticas públicas correctas, os produtores de castanha de caju desfrutaram de preços recordes este ano. Estima-se que globalmente os seus rendimentos possam atingir este ano 70 mil milhões de FCFA, ou o equivalente a metade do Orçamento Geral do Estado da Guiné-Bissau em 2015.

O efeito combinado de tudo isto é que o país crescerá entre 4,5% e 5% em 2015. Muitas destas coisas não aconteciam há muito tempo ou nunca antes tinham acontecido. Progressos também estão a ter lugar em áreas intangíveis. Algumas reformas, c0mo a reforma das forças de defesa e segurança e a reforma da fiscalidade, foram iniciadas, embora os seus resultados só serão visíveis dentro de dois a três anos.

O segundo fenómeno é que o centro de gravidade do debate público está progressivamente a mover-se de: ´as-coisas-não-estão-a-ser-feitas´ para ´as-coisas-podiam-ter-sido-mais-bem-feitas`. Isto é fantástico, pois mostra que o país está a passar da paralisia para a acção. As pessoas estão a exprimir livremente as suas opiniões. Devemos encorajar esta tendência, apelando, contudo, a que se exprimam com respeito e elegância.

Mas não tenho ilusões. As coisas não têm sido fáceis. O que fizemos é muito pouco diante daquilo que há por fazer. No meio de tudo isto, cometemos erros, e por vezes, não estivemos à altura das expectativas. Sei que, involuntariamente, ainda havemos de cometer erros. O progresso não é um processo linear. Ele é feito de avanços e recuos. O caminho a percorrer é espinhoso; as montanhas a escalar são agrestes. Nesta caminhada, estamos constantemente a experimentar uma mistura de emoções antagónicas – satisfação, frustração, esperança, dúvida, celebração, etc.

Algumas coisas me têm frustrado. Tenho visto pessoas dedicarem-se apaixonadamente àquilo que é absolutamente supérfluo e insano. Gostava de ver os meus concidadãos a ocuparem-se mais das coisas que sabem fazer e a falarem menos das coisas de que não sabem; gostaria de ver algumas pessoas a pensarem três ou quatro vezes antes de espalharem uma mentira aos quatro ventos, causando mal a pessoas de bem. É preciso perceber uma coisa. A verdade e a mentira falam em tons diferentes. A verdade não precisa falar alto. Até o silêncio basta-lhe. A mentira, ao contrário, precisa gritar para se fazer ouvir. Por isso, acaba sempre por dominar o ruído de fundo.

Mas há também muitas coisas que me deixam feliz. Tenho sido inspirado por um leque de pessoas talentosas que eu tenho encontrado, algumas delas ainda muito jovens e promissoras. Tenho tentado aprender com a humildade das nossas populações que se contentam com pouco e vivem com dignidade.

Estes exemplos têm-me lembrado que na minha posição é preciso permanentemente verificar se os nossos valores fundamentais (rigor, integridade e humildade) estão vivos. É o que tenho tentado fazer todos os dias. Não sou perfeito, nem pretendo ser. Porém, tal como muitos que tenho conhecido, busco constantemente a excelência. Motivado pelos seus exemplos, levanto-me diariamente de manhã com uma enorme vontade de trabalhar mais e melhor.

Sinto orgulho de ter participado em alguns momentos marcantes deste processo. A preparação do Plano Estratégico 2015-2025 Terra Ranka foi um desses momentos. Hoje, a Guiné-Bissau dispõe de uma visão clara de desenvolvimento amplamente sufragada pelos Guineenses.

Por outro lado, Bruxelas teve um significado particular para mim. Nos meus ombros recaía a enorme responsabilidade de apresentar o Plano Estratégico à comunidade internacional naquele inesquecível dia 25 de Março de 2015. Medindo o dever, eu vivia o momento com paixão. Surpreendentemente, estava a controlar bem o nervosismo durante os três dias que precederam o evento.

Em Bruxelas, costumávamos almoçar num restaurante Indiano, na rua que separa o hotel Silken Berlaymont, onde estávamos alojados, da sede da União Europeia. No dia 24 de Março, durante o almoço, senti de repente medo de comer. A comida Indiana é muito picante. E eu gosto de comida picante. Porém, um mau pensamento começou a invadir a minha mente. E se eu comer o picante e o meu intestino se puser a resmungar no dia seguinte?

E se eu me levantar no dia seguinte com dor de cabeça ou com febre? No final do almoço, deixámos o restaurante e começámos a caminhar de volta ao hotel. A certa altura, DSP tocou-me levemente no ombro e disse-me para olhar para o alto lá ao fundo, indicando com a mão esquerda. Levantei a cabeça e vi aquela imagem. A bandeira da Guiné-Bissau estava a flutuar, sozinha, na sede da União Europeia. O sangue arrepiou-me até às profundezas da minha alma.

No dia seguinte, nada do que eu temia aconteceu.

A reunião foi um sucesso. O principal resultado de Bruxelas não é a substancial soma de dinheiro que foi prometida. O principal resultado de Bruxelas é o respeito que o país voltou a ganhar no seio da comunidade internacional. Enquanto Guineense, sinto muito orgulho nisso.

Hoje, apesar das muitas peripécias, quero dizer-vos que acredito sinceramente no futuro do nosso país. Estou confiante de que, enquanto Nação, podemos juntos triunfar, porque a força centrípeta daquilo que nos une é bem maior do que a força centrífuga daquilo que nos separa.

Ao entrarmos no segundo ano da governação, quero agradecer a Deus por me dar saúde para continuar a caminhar.
Agradeço à minha esposa pelo seu apoio indefectível. Agradeço aos meus filhos pela sua paciência. Agradeço particularmente à Mamy por ter aceite graciosamente prescindir das minhas cómicas histórias sobre Fantôme Robot, na hora de ir para a cama.

Agradeço a todos os meus amigos pelo vosso apoio e pelas vossas orações.

Que Deus vos abençoe.


Bissau, 30 de Junho de 2015

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sucesso de luta de libertação nacional na antiga colónia – província da guiné portuguesa

INTRODUÇÃO

A luta de libertação nacional foi gerida num princípio de unidade e integração total e profunda de todas as tribos, isto demonstra uma clara capacidade de inteligência sem preconceito tribal do Eng. Amilcar Cabral chefe de guerra, e com os seus companheiros de luta, para uma melhor implementação da mesma rumo a independência da Província da Guiné.

DESENVOLVIMENTO

Em pleno luta de libertação nacional, houve várias aderências que podem ser caracterizadas de seguintes aspetos: por aderência voluntária e por recrutamento. Este aspeto indica que aderência voluntária que obviamente dominou a maior composição da guerrilha da luta de libertação nacional.

Esta aderência recai sobretudo para a etnia Balanta que realmente organizou e sustentabilizou quer no plano logístico, quer na tática e bem como na ação direta de combate intensa, revelando assim uma maior competência, qualidade e valentia com grande sucesso na luta pela liberdade da Pátria guineense.

Mas este sucesso acima referenciado foi conseguido graças através de aderência e grande integração dos Balantas naquela intensa luta de libertação nacional. Isto justifica que houve grande sucesso de luta por integração incondicional dos Balantas.

Hoje, no século XXI, para que haja um desenvolvimento sustentável é imprescindível levar em conta este fator de integração sem nenhum preconceito, apostando na competência, capacidade e visão para o desenvolvimento do nosso país, e quém efetivamente beneficiará deste desenvolvimento será o povo da Guiné-Bissau.

Mas se vamos ver, depois da independência de 1973, os Balantas que foram maioritáriamente integrados na luta de libertação nacional que resultou sem dúvida uma grande vitória. Esta tribo hoje recebeu um outro prémio que se chama DESINTEGRAÇÂO OU EXCLUSÂO SOCIAL.

Logicamente é de conhecimento que: quem luta, primeiro pensa, cria as ideias e planeia a forma e a estratégia como ganhar essa luta, e quando sair vitorioso é porque os balantas são maioritários, humildes, uma etnia onde todas outras são deludias sem nenhuns complexos

Neste contexto, o autor deste artigo, considera que, o país está onde está desde a independência até hoje, porque aqueles que deveriam ser integrados obviamente não foram integrados ou incluidos no processo e no Centro de Decições Estratégicas do desenvolvimento do país. Esta é a razão fundamental do atraso global do país, devido a desintegração ou exclusão dos Balantas como maioritário (Judeus), um dos mais humildes e com contribuições maior a dar Guiné-Bissau.

O autor considera que qualquer país que quer ter um desenvolvimento estrutural sustentável é essencial basear-se num princípio de integração ou de inclusão profunda e de competência para realizar o seu sonho e permitir um crescimento próspero para todos os cidadãos.

Basear-se na competência como a fonte de criação de riqueza, o que vai ajudar não só diminuir a incerteza e risco político, bem como aumentar a esperança de vida, estabilidade e crescimento sócioeconómico. É preciso apostar no equilíbrio e competência para aperfeiçoar as nossas dificuldades e promover o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

CONCLUSÃO

Devemos refletir e reconhecer que a etnia maioritária (Balantas) na Guiné-Bissau, não constitui uma ameaça, mas sim constitui uma potencialidade que deve ser conservado como potencial recurso humano e capital intelectual que representa um benefício total para o país.

É importante eliminar o preconceito social, e o que caracteriza de positivo para o bem-estar de um país, é a gestão de conhecimento e competência que não tem fronteira e tribo.
Os meus melhores agradecimentos. 

Por Dr. Flerém Abiná


Oslo, 25 de Março de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

GUINÉ-BISSAU, POLÍCIA JUDICIÁRIA DETEVE EDITOR DO BLOG “DOKA INTERNACIONALDENUNCIANTE”

Os filhos da PIDE e delinquentes incluindo PM (DSP/moço de recados/NhuPó) e Ministra da (in) justiça (Carmelita Pires), que prenderam ilegalmente o ativista de direitos humanos, Doka Internacional, terão uma surpresa desagradável e dolorosa. Se preparem.

Fonte: odemocratagb.com

A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau (PJ) deteve desde ontem (18 de Março) a noite por volta das 20 horas locais, o músico e editor do blog “dokainternacionaldenunciante”, Danilson Lopes Ferreira, por crime de “injúria e calúnia. A denúncia da detenção do editor do blog foi relatada por um grupo de cidadãos através de um comunicado de imprensa distribuída aos órgãos da Comunicação Social.

A nota que a nossa redação teve acesso, acusa o chefe do Governo, Domingos Simões Pereira de ter ordenado a ministra de Justiça, Carmelita Pires no sentido de mandar deter o editor do blog “dokainternacionaldenunciante” por injúria e calúnia.

“A detenção de Doka é absolutamente ilegal e abusiva. A primeira ilegalidade da detenção de Doka consiste na violação do Código do Processo Penal, pois nenhum cidadão pode ser detido entre as 19 horas e as 07 horas da manhã, excepto em caso de flagrante delito. Não existe neste caso e não se aplica a figura de flagrante delito, pois o caso, objecto de participação, já remonta alguns meses”, lê-se no comunicado.

O grupo de cidadãos signatários que exige a libertação de Danilson Lopes Ferreira, lembra no comunicado que a ministra de Justiça, Carmelita Pires, tinha apresentado uma queixa contra o editor do blog “dokainternacionaldenunciante” junto da PJ desde Dezembro último. O grupo exige através do comunicado a “libertação imediata e incondicional de Doka” e pediu a “assunção plena de responsabilidade do Chefe do Governo e da ministra de Justiça que assumiu esta vingança e ajustes de contas”.

Entretanto, uma fonte da Polícia Judiciária, confirmou a’O Democrata a detenção do editor do blog “dokainternacionaldenunciante”. A fonte avança ainda que o músico se encontra detido nas instalações da PJ, frente ao mercado de Bandim.

Contou por um lado que a operação de detenção do músico e editor de blog foi dirigida por agentes do serviço de Piquete da PJ. De acordo com a fonte, processo do editor está em curso e prosseguir-se-á na justiça guineense.

O vice presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Mário Augusto da Silva disse a’O Democrata numa entrevista por via telefónica que a sua organização desconheceu a detenção de Danilson Lopes Ferreira pela Polícia Judiciária guineense.

“Não temos o conhecimento da detenção de Doka. Nenhum familiar ou pessoa próxima do editor entrou em contacto com a nossa organização sobre o assunto. Acabamos de saber através do vosso telefonema”, explicou o dirigente da organização de defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau.


O Democrata tentou entrar em contacto com o advogado do editor, mas sem sucesso.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Artigo do Financial Times diz que Angola é uma cleptocracia

O Jornal britânico Financial Times classifica hoje Angola como uma cleptocracia e os seus dirigentes como uma elite indiferente ao resto da população, num artigo sobre o novo livro do investigador Ricardo Soares de Oliveira.

O texto, com o título 'Porque o Ocidente adora um cleptocrata', publicado hoje na secção de Fim de Semana do jornal britânico, aborda o lançamento do livro 'Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War', de Soares de Oliveira.

O texto começa por dizer que "mesmo pelos padrões dos Estados petrolíferos, Angola é quase risivelmente injusta", e descreve que "os oligarcas deixam gorjetas de 500 euros nos restaurantes da moda em Lisboa, enquanto cerca de uma em cada seis crianças angolanas morrem antes de terem cinco anos".

No artigo, que estava no sábado ao final da manhã na primeira página do site do Financial Times, refere-se que "esta pequena cleptocracia é aceite como uma parte integrante do sistema ocidental" e explica-se que são os expatriados que fazem a economia angolana mexer, desde as consultoras que ajudam a definir a política económica até aos bancos que financiam os negócios.

"Os oligarcas angolanos habitam a economia do luxo global das escolas públicas britânicas, dos gestores de activos suíços, das lojas Hermès, etc", lê-se no jornal, que classifica o livro sobre Angola como "maravilhoso".

O livro, de resto, foi lançado no final da semana passada em Londres e é o segundo da autoria de Ricardo Soares de Oliveira, um professor de Política Africana em Oxford e faz parte do Instituto de Políticas Públicas Globais, em Berlim.

No texto que serve de lançamento para o livro, é feito um retrato de fortes contrastes entre a elite e o resto da população angolana, por exemplo quando se lê que "a clique dirigente consiste largamente numas poucas famílias de raça mista da capital, Luanda, que considera que os cerca de 21 milhões de angolanos negros no mato ou musseques são imperfeitamente civilizados, e com pouco desejo para os educar".

A relação entre Portugal e Angola faz também parte da análise do jornalista que assina o texto, que cita o autor do livro dizendo que "por trás de cada magnata angolano há uma equipa de gestão maioritariamente portuguesa", que não se preocupa com as consequências da sua gestão, "por isso os estrangeiros bombam petróleo, fazem luxuosos vestidos e constroem aeroportos sem sentido no meio do nada".

Criticando de forma directa as luxuosas viagens à Europa, os passeios entre capitais europeias recorrendo a aviões a jacto, o artigo prossegue argumentando que a crise económica fez com que os governos ocidentais procurassem novos negócios sem olhar ao contexto político desses países, contando com o exemplo da conhecida política de não interferência da China, um dos novos grandes investidores em África na exploração de recursos naturais.

Depois de criticar os governos ocidentais por não fazerem a distinção entre o dinheiro dos governantes e o dinheiro dos Estados, porque afinal "eles empilham-no nos nossos bancos e gastam-no nos nossos quadros, em cirurgias plásticas e em casas de praia, para além de ações das nossas empresas, especialmente em Portugal", o artigo termina abordando a descida do preço do petróleo.


"A elite fez a festa durante o crescimento do petróleo. O provável impacto no regime do colapso nos preços é pouco, porque se só se está a alimentar uma pequena percentagem do povo, 50 dólares por barril chega e sobra".

sexta-feira, 6 de março de 2015

Embaixador dos EUA em Seul esfaqueado em evento público

Mark Lippert sofreu um corte profundo na face mas encontra-se em estado considerado estável. Coreia do Norte diz que foi "um castigo merecido".

O embaixador dos Estados Unidos em Seul foi atacado nesta quinta-feira durante um pequeno-almoço de trabalho por um sul-coreano que gritou palavras de ordem contra a presença militar norte-americana no país e a favor da reunificação com a Coreia do Norte.

O homem, identificado como Kim Ki-jong, de 55 anos, atacou o embaixador Mark Lippert com uma faca, provocando-lhe cortes profundos na face, no braço esquerdo e nas mãos.

Apesar de um corte na face com 11 centímetros de comprimento e três centímetros de profundidade, Lippert, de 42 anos, não sofreu ferimentos que possam provocar-lhe danos permanentes e está em situação considerada estável.

Mark Lippert foi nomeado embaixador em Seul há menos de cinco meses, e tinha dito várias vezes que iria procurar ter uma relação de maior proximidade com os cidadãos — tanto os norte-americanos como os sul-coreanos.

Numa dessas iniciativas, Lippert esteve presente nesta quinta-feira num pequeno-almoço organizado pelo Conselho Coreano de Reconciliação e Cooperação, num edifício localizado na mesma área da embaixada, num evento em que também iria discursar.

Não se sabe ao certo como é que o atacante iludiu a segurança, mas o correspondente da BBC em Seul, Stephen Evans, admite que tenha havido uma certa descontracção pelo facto de o evento se realizar muito perto da embaixada — em declarações à agência sul-coreana Yonhap, um dos organizadores disse que os serviços da embaixada dos EUA não pediram o reforço da segurança.

Lippert foi levado para o Hospital Severance, na zona ocidental de Seul, onde foi operado — para além do golpe mais profundo na face, foi também ferido no braço esquerdo e nas mãos. Para tratar o corte na face foram precisos 80 pontos, e Lippert terá de ficar no hospital durante três ou quatro dias.

De acordo com o relato da agência Yonhap, o embaixador norte-americano manteve-se calmo após o ataque. "Estou bem, estou bem. Não se preocupem", disse aos jornalistas quando estava a ser levado para o hospital.

Horas mais tarde, Mark Lippert escreveu uma mensagem no Twitter para agradecer o apoio que tem recebido, em nome da sua mulher, do filho e até do seu cão, Grigsby. "Estou a recuperar bem e estou muito bem-disposto. A Robyn, o Sejun, o Grigsby e eu estamos profundamente comovidos com o apoio! Voltarei assim que possível para reforçar a aliança EUA-República da Coreia!", escreveu o embaixador, terminando com um incentivo em coreano: "Vamos em frente juntos!"

Numa primeira reacção oficial, a agência de notícias norte-coreana referiu-se ao ataque como "um castigo merecido" – o embaixador dos EUA foi atacado com "a faca da justiça", lê-se num comunicado da KCNA.

Gritos contra exercícios militares
O atacante foi detido e a polícia sul-coreana admite formular uma acusação por tentativa de homicídio. Kim Ki-jong também recebeu tratamento no hospital, depois de ter partido um tornozelo durante a investida da polícia e dos seguranças para o deter, disse à Yonhap o chefe da polícia da esquadra de Jongno, em Seul, Yun Myeong-seong.

Esta foi a primeira vez que um embaixador norte-americano foi atacado em Seul, mas não foi o primeiro ataque de Kim contra um embaixador — em 2010, o homem foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, por atirar pedras contra o então embaixador japonês, Toshinori Shigei.

Se há cinco anos a sua luta era contra as reivindicações de soberania do Japão em relação às ilhas Dokdo (ou Takeshima, como são chamadas no Japão), o ataque desta quinta-feira foi justificado com os exercícios militares entre os EUA e a Coreia do Sul, que começaram na segunda-feira, e o desejo de ver as duas Coreias novamente unidas.

Kim Ki-jong tem um longo histórico de activismo e de acções violentas. Antes do ataque contra o embaixador japonês, em 2010, Kim tentou imolar-se pelo fogo em frente ao edifício da Presidência da Coreia do Sul, em 2007, exigindo que as autoridades investigassem uma alegada violação que teria acontecido no seu local de trabalho em 1988.

Em 2011, tentou homenagear o ex-líder da Coreia do Norte Kim Jong-il com um monumento no centro de Seul — os serviços secretos sul-coreanos dizem que Kim Ki-jong visitou a Coreia do Norte em seis ocasiões, entre 2006 e 2007.


Quando estava a ser levado pela polícia, o homem disse aos jornalistas que planeou o ataque contra o embaixador norte-americano durante dez dias. "Ataquei [o embaixador] porque não quero que um imbecil acabado de entrar nos 40 anos de idade vá interferir nas relações inter-coreanas", disse Kim Ki-jong.
//Publico

quarta-feira, 4 de março de 2015

Presidente da república pede a conclusão do processo de assassinato de Nino Vieira e Tagme na Waie

O Presidente da República, José Mário Vaz pediu esta terça-feira, 3 de Março, a conclusão de todos os processos envolvendo crime de sangue, sobretudo do Presidente João Bernardo Vieira “Nino” e do General Tagme Na Waie, que segundo o Chefe de Estado, são crimes que mais chocaram o sentimento colectivo do povo guineense, por se tratar de atentados contra instituições de Estado.

José Mário Vaz falava na cerimónia de abertura do ano judicial, realizada numa das unidades hoteleiras da cidade de Bissau na qual estiveram presentes responsáveis do poder judicial e o chefe de Governo, Domingos Simões Pereira.

O Chefe de Estado, José Mário Vaz disse na sua intervenção que práticas que mancham a imagem da justiça estão perfeitamente identificadas, nomeadamente “enriquecimento ilícito, corrupção, peculato, nepotismo, tráfico de influência, morosidade processual, decisões tardias e inúteis”. Sustentou ainda que estas más práticas lesam os direitos dos cidadãos, como também põem em causa o equilíbrio e a paz social.

“É ingénuo pensar-se que todos esses adjectivos são exclusivos do Poder Judicial. O sector judicial não é mais do que espelho que reflecte as nossas qualidades e virtudes, como também os nossos vícios e deficiências enquanto comunidade organizada em torno de instituições” afirmou.

O Presidente da República assinalou que as “denúncias e críticas bem fundamentadas com base em provas concretas são bem-vindas, porque queremos que com a nossa Presidência, o medo seja parte do passado”.

“Quem não quer críticas ou ser denunciado deve ficar em sua casa, porque quem aceita o exercício de cargo público tem de ser descortinado pela sociedade, dentro dos limites previstos na lei, desde que não sejam motivadas por inveja, vingança, ódio, calúnia ou difamação”, advertiu.

Na opinião do Chefe de Estado, o poder judicial deve denunciar e combater sem medo todas as formas e tentativas de instrumentalização, condicionamento ou enfraquecimento, tendo assegurado que o “poder judicial não pode auto-excluir-se ou contribuir para a sua própria marginalização nos grandes debates nacionais sobre a temática da justiça”.

O presidente do Supremo Tribunal da Justiça (STJ), Paulo Sanhá afirmou na sua intervenção que o poder judicial apolítico e apartidário é que encarna os tribunais, através dos seus magistrados. Acrescentou ainda que a independência do poder judicial e os recursos para o seu fortalecimento não constituem um privilégio, mas sim “uma garantia fundamental da democracia e da vitalidade do nosso Estado de Direito”.

“A crise social e de valores em que estamos mergulhados é que faz com que sejam mais diversos os sentimentos de justiça nas várias camadas da população, seja em função da sua cultura étnica, sem em razão da sua idade ou sexo, seja ainda em consequência dos meios económico-sociais e até geográficos em que se inserem”, disse.

Assegurou que o desconhecimento da quantidade de dificuldades do trabalho com que os magistrados deparam actualmente bem como as insuficiências de meios humanos, técnicos e materiais ao seu dispor, faz com que sistematicamente a morosidade da justiça lhes seja imputada e não só, como também provoca um certo mal-estar dos guineenses em relação aos seus tribunais.

Para o Procurador-Geral da República, Hermenegildo Pereira o balanço obrigatório a que seriam obrigados não pode ser feito com objectividade e imparcialidade, de forma a poderem perspectivar com toda a coerência o ano judicial que se inicia. Acrescentou que os “itens” que compõem o sector judiciário não oferecem dados fiáveis e fidedignas, nomeadamente no domínio da concepção de políticas, de acompanhamento do quadro normativo internacional, de criação e seguimento das instituições internas, entre outros.

Afirmou que a dinâmica do sector judiciário deve envolver todas as suas componentes, pois no seu entender, a justiça tem que ser pensada de topo a base, dado que é “um processo de intervenção necessária de vários actores, basta falhar um para que todo o processo desmorone”.

Aproveitou a ocasião para denunciar a situação crónica de falta de meios financeiros para as investigações, sobretudo quando se trata de crimes complexos ou de sangue, porque não existiu até ao momento nenhum fundo de investigação.


“Uma vez que a investigação envolve meios, e estes são traduzidos em dinheiro. Aliás, nenhuma estratégia de investigação criminal funciona sem suporte financeiro. E não se pode pensar que os fundos de maneio, praticamente inexistentes, devem servir para investigar grandes assuntos nacionais”, esclareceu. Com Odemocrata