sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Autoridades guineenses garantem "maior segurança" no único aeroporto internacional do país


O presidente do conselho de administração da agência de aviação civil da Guiné-Bissau, Dr. Hotna Cufuk Na Doha, garantiu hoje estarem em curso medidas para estabelecer "maior e melhor segurança" no único aeroporto internacional do país, alvo de reparos internacionais.

Em diversas ocasiões nos últimos meses, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) chamou a atenção das autoridades guineenses para a necessidade de serem adotadas medidas urgentes que garantissem segurança no aeroporto, sob pena de lhe ser retirado o estatuto internacional.

Uma das medidas exigidas pela OACI é a adoção de um novo código aéreo, já que o existente no país é considerado caduco, por ser dos anos de 1980, assinalou hoje o presidente do conselho de administração da agência de aviação civil.

"Já adotámos um novo código aéreo, faltando apenas que seja aprovado no parlamento, o que vai acontecer ainda este mês", disse Dr. Hotna Cufuk Na Doha.

No cargo há duas semanas, Na Doha disse ter constatado e proposto medidas corretivas no aeroporto Osvaldo Vieira, nomeadamente acabar com a entrada descontrolada de pessoas em zonas regulamentadas, prática de cultivo no perímetro do aeroporto e ainda melhoramento da pista.

No início do ano algumas companhias aéreas ameaçaram parar de voar para Bissau devido ao mau estado da pista de aterragem.

O cultivo no perímetro do aeroporto é considerado pela OACI como perigoso por atrair pássaros que dificultam a navegação aérea.

Dr. Hotna Cufuk Na Doha afirmou também que serão tomadas medidas em relação às cinco casas construídas, por populares, no perímetro do aeroporto e que as autoridades internacionais exigem a sua demolição.

O presidente do conselho de administração da agência de aviação civil guineense anunciou a recuperação de três aparelhos de raio X que se encontravam avariados para destacar que "a partir de hoje há melhorias no aeroporto" de Bissau.

O responsável admitiu que "existem situações" que poderiam levar a que ao aeroporto fosse retirado o estatuto internacional, mas com as medidas em curso "isso não acontecerá", garantiu.

"O nosso aeroporto até hoje tem estatuto de aeroporto internacional. Não está em nenhuma lista negra", observou Dr. Hotna Cufuk Na Doha

PRS pede civismo e diz que não há tribalismo na Guiné-Bissau


O presidente do Partido de Renovação Social, Alberto Nambeia, afirmou hoje que não há tribalismo na Guiné-Bissau, apelou ao civismo e aos partidos políticos guineenses para fazerem uma campanha eleitoral sem ataques pessoais.

"O tribalismo (na Guiné-Bissau) é fomentado por certos políticos, mas na realidade não existe. As pessoas fomentam esse assunto quando querem conquistar o voto de um determinado grupo étnico, sobretudo nas eleições", explicou Alberto Nambeia, quando questionado sobre a existência ou não de tribalismo no país durante uma entrevista à Lusa.

Fundado pelo ex-Presidente Kumba Ialá, o PRS tem sido conotado erradamente com a etnia balanta (de facto o povo balanta é mais inclusivo , pois integrou no seu seio toda etnias da Guiné-Bissau), a maior do país, o líder do PRS recorda que o período da luta pela independência da Guiné-Bissau mostrou que não existe tribalismo.

"Se houvesse tribalismo não podia haver aquela conjugação de etnias na luta contra o colonialismo português", afirmou, sublinhando que nas tabancas (aldeias) há mistura de várias etnias.

Na Guiné-Bissau existem mais de 40 etnias, sendo as maioritárias os fulas e os balantas.

Segundo Alberto Nambeia, não se pode confundir tribalismo com "solidariedade étnica".

"Os políticos evocam tribalismo, mas quando querem uma mulher, nunca perguntam pela sua etnia antes de se fazerem a ela. Nesse caso já não há tribalismo", sublinhou para exemplificar a inexistência daquele fenómeno na Guiné-Bissau.

Na entrevista, o presidente do PRS, segunda maior formação política da Guiné-Bissau e que integra o atual Governo em funções no país, apelou também ao civismo.

"Que ninguém pegue neste processo de eleições como um tabu, como uma coisa do outro mundo. Durante a campanha eleitoral evitemos as mensagens de confrontação", disse, sublinhando que os partidos devem ganhar as eleições devido ao seu programa eleitoral.

Alberto Nambeia pediu às pessoas para não votarem por um "saco de arroz, açúcar ou dinheiro", mas em "consciência".

"Porque qualquer partido que ganhar as eleições será um partido da Guiné-Bissau, não um partido do Senegal, da América ou de Portugal, embora os portugueses sejam nossos irmãos. Temos laços que nos unem com eles. O partido que ganhar é o partido da Guiné-Bissau que nos todos devemos apoiar para trabalharmos juntos com ele", concluiu, pedindo aos políticos para se absterem de ataques pessoais. Com a Lusa

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ramos do mesmo tronco na Guiné-Bissau

O nosso “Hino Nacional”, por tratar-se de texto poético, o texto que descreve e encarna a Identidade Nacional da Guiné-Bissau, nada mais sugestivo que admiramos a beleza da poesia – “Hino Nacional da Guiné-Bissau”, retratado a seguir: “Hino da Guiné-Bissau 
SOL, SUOR E O VERDE E MAR
SÉCULOS DE DOR E ESPERANÇA!
ESTA É A TERRA DOS NOSSOS AVÓS!
FRUTO DAS NOSSAS MÃOS
DA FLÔR DO NOSSO SANGUE
ESTA É A NOSSA PÁTRIA AMADA

Viva a pátria gloriosa!
Floriu nos céus a bandeira da luta
Avante, contra o jugo estrangeiro!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!

Ramos do mesmo tronco
Olhos na mesma luz
Esta é a força da nossa união!
Cantem o mar e a terra
A madrugada e o sol
Que a nossa luta fecundou

VIVA A PÁTRIA GLORIOSA!
FLORIU NOS CÉUS A BANDEIRA DA LUTA
AVANTE, CONTRA O JUGO ESTRANGEIRO!
NÓS VAMOS CONSTRUIR
NA PÁTRIA IMORTAL
A PAZ E O PROGRESSO!
NÓS VAMOS CONSTRUIR
NA PÁTRIA IMORTAL

A PAZ E O PROGRESSO!

Para ilustrar o sentido geral do nosso “Hino Nacional”, o valor da nossa identidade nacional, que nos idêntica a todos como povo guineense. No obstante, não podemos negligenciar dos seguintes pormenores, existentes na sociedade guineense:

O nosso povo foi colonizado e muitos escravizados por muitos longos anos, fruto desta atrocidade do passado e, ainda persistente na Guiné-Bissau, como por exemplo, a Guiné-Bissau ou Povo guineense em geral é uma composição de muitos povos (designados erradamente, pelas etnias), pois cada uma tem a característica de um povo, apesar de ser em menor numero.

Entretanto, existem alguns, que não querem compreender, perceber, o valor do nosso “Hino Nacional”, como os que apelidam de: GOMES, PEREIRA, VAZ, LOPES, VIEIRA, DOS SANTOS, BARBOSA, SPENCER, ... não querem ser ramos, mas querem fazer parte da arvore (a Guiné-Bissau), compostas pelas suas etnias.

Mas, a verdade é que a arvore, só existe, contendo os seus ramos, capazes de, através das suas funções retransmitores das fotossínteses recebida da luz do Sol, fruto de trabalho das pessoas pertencente a cada etnia, no seu respetivo ramo étnico.

O Fotossíntese recebidos do sol e pelos suores do nosso povo durante Séculos de dor e esperança… que fortifica o tronco da arvore (Guiné-Bissau).

Nos sabemos que existem ainda, como foi exemplificado, anteriormente, alguns apelidados, que querem a todo custo enfraquecer “a força da nossa união”, o tronco da arvore, que é a Guiné-Bissau. Fazendo passar, como PLANTAS TREPADORAS, que fixam as suas raízes no tronco, para enxugar fruto de trabalho do nosso povo.

Alias, como fizeram pelos papéis que desempenharam no tempo da colonialismo e escravatura, da qual colaboraram na venda dos irmãos das nossas etnias para escravaturas nas terras das Américas (Brasil, Estados Unidos).

Hoje querem fazer o mesmo, através de filhos, netos, assaltando o instrumento da nossa luta. O instrumento (PAIGC), pelo qual infringimos derrotas aos colonos e seus aliados. Para com isso, vingar das derrotas dos seus aliados (Colonos) e continuar as trapaças, corrupções, enriquecimentos fáceis, sem esforços.

De facto, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança: todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades…

Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança: do mal ficam as mágoas na lembrança, do mal ficam as magoas na lembrança dos:
1. Paulo Correia (balanta)
2. Binhanquerem Na Tchanda (balanta)
3. Mbana Sambú (balanta)
4. Braima Bangura
5. Viriato Pã (balanta)
6. Pedro Ramos
7. Bupas Cul (balanta)
8. Tue Na Bangna (balanta)
9. Sana Fuma  (balanta)
10. Alqueia Kuassa (balanta)
11. Fore Mbitna (balanta)
12. Mutna Dentche Na Dum (balanta)
13. Nfon Na Lagna (balanta)
14. Buota Nambatcha (balanta)
15. Bighate Na Biate (balanta)
16. Mbunhe Na Male (balanta)
17. Wangna Nanfade (balanta)
18. Tagme Na Waié (balanta)
19. Sae Braia Na Nhagba (balanta)
20. João da Silva
21. Adriano Cubala (balanta)
22. Fernando Cubala (balanta)
23. Pedro Cubala (balanta)
24. Nhasse Nambera (balanta)
25. Zecaria
26. Agostinho Gomes
27. Lamine Sisse
28. Malam Sane
29. Caramba Conte
30. Ngare Iala Nhanta (balanta)
31. Watna Na Laie (balanta)
32. Kissif Dentche (balanta)
33. Tcham Na Mam (balanta)
34. Ramalho Incanha (balanta)
35. Emílio Costa (balanta)
36. Bitchofola Na Fafe (balanta)
37. Mbana Na Sanha (balanta)
38. Malam Numo Seide
39. Nfon Ntunda (balanta)
40. Alberto Na Haba (balanta)
41. Damna imbunde (balanta)
42. Blakte Na Dum (balanta)
43. João Biambi (balanta)
44. Alexandre Cul Nassalan (balanta)
45. Mário Nsimba (balanta)
46.Joãozinho Iala (balanta).

De facto, não existe tribalismo na Guiné-Bissau, mas sim suas etnias, que precisam assumir as suas identidades, fazendo identificar pela sua gente, que hoje querem progresso. O progresso que não vamos deixar, que quaisquer trapaceiros (PLANTAS TREPADORAS) destruem, com invocação de que flano ou beltrano é tribalista, como fizeram com um do homem impulsionador da nossa Democracia, o saudoso Dr. Kumba Yala.

Alias, Amílcar Lopes Cabral, pai da nação guineense, já havia o dito, conforme as seguintes citações, alertando o povo para não deixar enganar: “Nós queremos que tudo quanto conquistarmos nesta luta pertença ao nosso povo e temos que fazer o máximo para criar uma tal organização que mesmo que alguns de nós queiram desviar as conquistas da luta heroica e glorioso do nosso povo para os seus interesses, o nosso povo não deixe. Isso é muito importante.” – AMILCAR LOPES CABRAL

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O Governo irresponsável de Aristides Gomes, fez alargamento do recenseamento eleitoral para mais trinta dias, num sinal de desespero politico


O registo dos eleitores prossegue até 20 de novembro, anunciou esta quarta-feira, após uma reunião sobre o processo eleitoral, a ministra da administração territorial.

Ester Fernandes, disse que a inscrição dos eleitores vai cumprir os prazos legais de sessenta dias, mas a governante recusou pronunciar-se sobre a alteração da data da ida às urnas.

Em reação o PRS, na voz do seu vice-presidente, Jorge Malu, manifesta-se contra a alteração da data das eleições.

Entretanto, o líder do PAIGC, domingos simões pereira, acusa a televisão pública guineense de estar a ser usada como elemento de propaganda para o bloqueio do processo eleitoral.

Domingos Simões Pereira acusa ainda o presidente guineense de violar a lei eleitoral, desrespeitando o princípio da liberdade, transparência e igualdade de tratamento, no processo de eleições.

Com a prorrogação, para mais 30 dias do recenseamento eleitoral, caberá agora ao governo encontrar um consenso político para uma nova data para a realização do escrutínio.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

GUINÉ-BISSAU, ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2018: “MAIS DE METADE DOS 900 MIL ELEITORES GUINEENSES PODERÃO NÃO PODER RECENSEAR E CONSEQUENTEMENTE VOTAR”


O PRS – Partido da Renovação Social, uma das forças política da Guiné-Bissau, por apelo do Presidente da República do nosso país, aceitou pertencer ao atual “Governo de Consenso e Inclusão”. O Primeiro-Ministro, Aristides Gomes (PAIGC), foi nomeado com o objetivo expresso de organizar eleições legislativas. 

Porém, Aristides Gomes e o PAIGC estão a arruinar este objetivo. O processo de recenseamento regista falhas que vão da incompetência à ilegalidade, passando por suspeitas de manipulação. As nossas queixas e as de vários partidos, são as seguintes:

1. Ilegalidade e usurpação de funções das entidades eleitorais

Duas entidades gerem os nossos processos eleitorais: Comissão Nacional de Eleições e Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral. Ora o Primeiro-Ministro nomeou ilegalmente duas outras entidades (Comissão Multissectorial e Comissão Interministerial), que vieram usurpar funções às legalmente existentes. Até os tribunais foram usurpados, na validação de candidaturas e no contencioso.

2. Mais de metade dos 900 mil eleitores não poderá votar

O recenseamento começou há mais de 20 dias e só há 100 mil recenseados. A uma semana do fim do processo, ninguém acredita que o número chegue a 50% dos guineenses maiores de idade. Rejeitamos um caderno eleitoral com menos de 90% de inscritos.

3. Eleitores com vários cartões e eleitores com o mesmo número

Há pessoas que se recensearam mais que uma vez (tendo mais que um cartão de eleitor) e vários cidadãos com o mesmo número de eleitor. Isso permite a algumas pessoas votarem mais que uma vez e impedirá outras de votar, pois basta que a primeira pessoa vote para que as outras (com o mesmo número) sejam impedidas de votar.

4. Um recenseamento politizado e sem fiscalização

Os técnicos de recenseamento (credenciados) estão a ser substituídos por pessoas do PAIGC (sem formação) e a fiscalização dos delegados partidários está a ser vedada por ordem de governantes do PAIGC.

5. Dificuldades técnicas no recenseamento

Quer devido ao reduzido número de kits eleitorais (computador e impressora), quer por deficiências desses kits (sobreaquecem e ficam largos minutos sem funcionar) ou por falta de formação dos recenseadores, o processo está a ser dolorosamente lento e a incidir maioritariamente nas zonas mais afetas ao PAIGC.

6. Omissão de campanhas de educação cívica

Um dos compromissos deste governo era a campanha de educação cívica e incentivo ao recenseamento. Não está a acontecer.

7. Exclusão dos partidos sem representação parlamentar

Mesmo os partidos sem representação parlamentar (desde que legalizados) têm assento no processo eleitoral. O Primeiro-Ministro continua a exclui-los, ignorando a lei e a recomendação presidencial.

8. As preocupações do Presidente da República 

Dando crédito às dúvidas existentes, o Presidente da República da Guiné-Bissau convocou os partidos guineenses (o PAIGC faltou) e prometeu estar atento, sabendo tirar as devidas conclusões.

Finalmente, informamos que vamos lutar contra este processo, em conjunto com a maioria dos partidos guineenses. A primeira ação é uma manifestação neste dia 18 (quinta-feira) junto ao Palácio do Governo, cujo cartaz anexamos, bem como a lista de locais de concentração.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

AS IRRESPONSABILIDADES DE ARISTIDES GOMES, DIFICULTA ABERTURA DE AULAS NAS ESCOLAS PÚBLICAS NA GUINÉ-BISSAU

“Lembro-me de Aristides Gomes, como um homem impiedoso, que na altura que eu trabalhava no hospital NSM, havia poucas incubadoras, pelo que decidimos colocar duas crianças em cada incubadora. Nesta ótica, o filho de Aristides Gomes foi colocado numa incubadora com uma outra criança (feto), devido maior numero de gravidez ectópica que tem havido no país. O impiedoso Aristides Gomes, decidiu retirar a outra criança da incubadora, a fim poder transportar o dele para Dakar”- Wilrane Fernandes  
 Parece que o mesmo que esta acontecer com as aberturas nas escolas publicas na Guiné-Bissau, uma vez que nenhum filho ou nenhuma filha do impiedoso Aristides Gomes, esta estudar nas escolas publica do nosso país. Pensem nisso!

O presidente interino do Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF), Domingos Carvalho, acusou hoje, 11 de outubro 2018, o Primeiro-ministro, Aristides Gomes, de “não estar interessado na abertura das escolas públicas”. Avança ainda que se tivesse interessado resolveria os problemas dos professores, sendo primeiro-ministro e ministro das finanças, funções que desempenha cumulativamente.

Os dois sindicatos (SINAPROF e SINDEPROF) reagiam, assim, às declarações do chefe de governo que, segundo Domingos Carvalho, acusou os sindicatos dos professores de paralisarem o setor com base nas motivações políticas e partidárias, não em função da política laboral, declarações que consideram “infantis” para desviar a atenção dos professores. “Mas não vai conseguir, porque desta vez será diferente”, notou.

Os professores continuam a exigir do governo aplicação do estatuto da careira docente aprovado em Conselho de Ministros, mas que nunca foi agendado para ser discutido pelos deputados, pagamento de dívidas a três mil e novecentos e trinta e seis (3936) professores, entre eles mil setecentos e dez (1710) novos ingressos com dívida de oito meses em atraso, sete meses aos mil oitocentos e noventa e quatro (1894) professores contratados, em 2018, e pagamento da dívida de 2012 e 2013 a trezentos e trinta e dois (332) professores.

 “Qual governo não sentiu a pressão dos professores durante o período da crise política”, questionou Carvalho, acrescentando que nenhum governo conseguiu resolver os problemas dos professores durante a crise política.

Os dois sindicatos ameaçaram sair brevemente às ruas para exigir seus direitos e condições de trabalho e afirmam que não vão às salas de aula até que sejam respeitados os pontos estabelecidos na reivindicação.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

ARISTIDES GOMES PEDE A PARTIDOS POLÍTICOS PARA CONFIAREM NO SISTEMA DE RECENSEAMENTO


O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, pediu ontem, 09 de outubro, aos partidos políticos guineenses para terem confiança no sistema de recenseamento e de eleições, salientando que é dos melhores da sub-região.

“Queremos lançar um apelo aos partidos políticos para terem confiança no nosso sistema de recenseamento e no nosso sistema de eleições. Nós temos um dos melhores sistemas eleitorais da nossa região. Em todos os atos conducentes às eleições, quer dizer do recenseamento até à votação, todos os partidos políticos legalmente constituídos no nosso país têm a possibilidade de ter uma participação estruturada”, afirmou Aristides Gomes.

Segundo Aristides Gomes, que falava aos jornalistas durante uma conferência no Ministério das Finanças, os partidos políticos podem participar na fiscalização do recenseamento, acompanhar o trabalho do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral e da Comissão Nacional de Eleições e podem recorrer aos tribunais.

“Quero dizer que não há razões para que nenhum partido se sinta marginalizado. Não existem estruturas que bloqueiem a participação dos partidos políticos em todo este processo, pelo contrário, é possível, respeitando a legislação vigente é possível que todos os partidos políticos possam participar”, disse.

Aristides Gomes sublinhou também que até ao momento não há reclamações pertinentes feitas pelos partidos.

“Tivemos algumas queixas, mas até agora, nenhum partido tem provas de ter sido prejudicado neste processo de recenseamento. Aliás, se fosse esse o caso esses partidos teriam recorrido à via judicial para fazer valer os direitos”, afirmou.

Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro pediu aos jovens para estarem vigilantes e não participarem em ações que perturbem o processo democrático e de consolidação dos progressos políticos alcançados.

O Presidente José Mário Vaz marcou as eleições legislativas para 18 de novembro em abril, na sequência de uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para ultrapassar o impasse político que se vivia no país desde 2015 e que incluiu também a nomeação de Aristides Gomes primeiro-ministro do país, bem como a reabertura do parlamento.

O processo eleitoral em curso na Guiné-Bissau tem provocado fortes críticas dos partidos sem assento parlamentar e da sociedade civil, que têm pedido que as legislativas sejam adiadas.

Em causa está, essencialmente, o recenseamento eleitoral que não decorreu entre 23 de agosto e 23 de setembro, como previsto, devido a atrasos na chegada dos equipamentos para recenseamento biométrico.

A Nigéria acabou por se disponibilizar para doar 350 ‘kits’ de registo biométrico, mas apenas 150 chegaram ao país, devendo os restantes ser recebidos nos próximos dias.

O recenseamento começou a 20 de setembro e deve terminar a 20 de outubro.

O Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral está a fazer o registo de eleitores em todo o território nacional e diáspora com apenas 150 ‘kits’.

sábado, 29 de setembro de 2018

PRIMEIRO-MINISTRO E SEU PARTIDO PAIGC, GOVERNAR É NÃO DIVERTIR PESSOAS, É ASSUMIR RESPONSABILIDADE!

...avançam com o cadáver de esperança às costas. Que perigo!

Todos os indicadores apontam, sem sombra de dúvida, a impossibilidade de realização de eleições legislativas na data prevista dia 18 de Novembro. O principal responsável deste falhanço é o próprio Primeiro-Ministro, Aristides Gomes, que, ao longo de cinco meses de exercício não foi capaz de dar um impulso ao processo de preparação às eleições, sua missão principal.

Ao invés de dinamismo e pragmatismo, o Primeiro-Ministro tem sido demasiado evasivo para com o processo ao ponto de deixar pairar a sombra de suspeições quanto à sua agenda pessoal a meio caminho. Começa-se o recenseamento “oficialmente” no dia 23 de Agosto sem recensear nenhum eleitor, coloca-se um kit em cada círculo eleitoral e acredita-se que a esse ritmo se vai realizar eleições na data! Brincadeira tem limites!

Hoje, a incerteza generalizada associada à acumulada desconfiança entre diferentes actores políticos, até no seio da população, ansiosa de ver concluído o fatídico cíclico de ingovernabilidade há várias décadas, é o resultado de liderança leviana do chefe do executivo!

As acções deste governo e a liderança do seu líder, deixam muito a desejar. A patente descoordenação no seio da equipa governamental na gestão do processo eleitoral é inquietante. É urgente corrigir “o tiro” antes que seja tarde. O incompreensível é a tentativa de desvirtuar a tradição de organização de eleições na Guiné-Bissau desde 1994. Cumpre-se lembrar que a Lei Eleitoral incumbe à Comissão Nacional de Eleições (CNE) a responsabilidade primária de condução do processo eleitoral.

O Gabinete de Apoio Técnico ao Processo Eleitoral (GTAPE) é um mero instrumento de assistência técnica do processo cujas acções devem ser monitoradas pela CNE. Infelizmente, esse princípio é hoje posto ao “chão de amadorismo” por este governo em nome de calculismos e agendas inconfessas susceptíveis de conduzir o país à periferia do “desconhecido”. O protagonismo atribuído ao GTAPE, embora sem resultados palpáveis, mina de que maneira o clima de confiança na gestão num processo eleitoral.

Ao longo do processo, o GTAPE fez perceber a opinião pública nacional e internacional sobre a inoperacionalidade dos “kits” utilizados nos escrutínios de 2014. Essa realidade não corresponde minimamente a verdade, pois o chefe da missão da assistência eleitoral confirmou na semana passada a operacionalidade de uma boa parte dos materiais. Autêntica brincadeira que traduz mal a irresponsabilidade do homem guineense perante coisas sérias. O guineense há muito que deixou de ter a vergonha na cara, de defender a honra e a dignidade mesmo que seja a custa da própria vida.

Pior de tudo, é que perante o impasse reinante, o Primeiro-Ministro tem pautado por discursos de “meio gaz”, declarações vazias que deixam os cidadãos desorientados e perplexos.

A tendência perigosa deve ser invertida e é urgente que o chefe do governo pare com esquemas de diversão e assuma plenamente a sua responsabilidade perante à Nação antes que seja tarde. Certo, os problemas da Guiné-Bissau não se resolverão com as eleições, mas elas podem constituir uma oportunidade para provocar a mudança, na condição que haja uma real vontade. // Odemocrata

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Braima Camará e Nuno Nabian pedem a PR guineense demissão do primeiro-ministro


Os dirigentes partidários guineenses Braima Camará e Nuno Nabian exigiram hoje ao Presidente do país que demita o primeiro-ministro, Aristides Gomes, a quem acusam de incapacidade para organizar eleições legislativas "com transparência".

S e ele não sair, vamos organizar marchas até que o Presidente o demita", declarou Nuno Nabian, presidente da APU-PDGB (Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau), durante uma conferência de imprensa, que decorreu ao final da tarde em Bissau.

Braima Camará, líder do Madem (Movimento da Alternância Democrática, partido recém-criado por dirigentes e militantes saídos do PAIGC), disse que o primeiro-ministro está a "forjar a realizações de eleições da forma como o tem feito" para "tirar dividendos políticos".

"Aristides Gomes quer ser o candidato do PAIGC nas eleições presidenciais", que devem ter lugar no próximo ano, defendeu Braima Camará.

O líder da APU-PDGB, partido que até recentemente estava alinhado com o PAIGC (vencedor das legislativas de 2014), observou que Aristides Gomes quer realizar eleições "à pressa no dia 18 de novembro, mesmo sabendo que tal não será possível".

"Organizar eleições no dia 18 de novembro é favorecer os partidos grandes, sobretudo o PAIGC", sublinhou Nuno Nabian, que fez questão de frisar estar do lado dos partidos que "reclamam pela verdade eleitoral e o cumprimento das leis" da Guiné-Bissau.

O dirigente da APU-PDGB exortou a comunidade internacional "a não se imiscuir nos assuntos internos" do país, observando que a Guiné-Bissau "tem leis que devem ser respeitadas".

A conferência de imprensa, realizada num espaço de diversão juvenil de Bissau, contou com as presenças de vários dirigentes partidários, nomeadamente os antigos ministros Botche Candé e Victor Mandinga.

O recenseamento eleitoral para as eleições legislativas, que a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental) quer que sejam realizadas "sem falta no dia 18 de novembro", começou hoje.

Os primeiros guineenses a fazer o recenseamento foram o Presidente do país, José Mário Vaz, e o primeiro-ministro, Aristides Gomes.

Acordo de Lomé e os seus impossíveis: quem dará mão à palmatória?

Uma aliança pode ser realizada em diversos âmbitos: militar, comercial, político, dentre outros. Normalmente, uma aliança combina elementos de diversos destes âmbitos, podendo haver preponderância de um deles.


Alguns passos são costumeiramente seguidos em alianças. Em primeiro lugar, uma aliança tem uma fase prévia de estudos e negociações, em que cada parte procura obter as melhores condições. Chegando-se a um denominador comum, realiza-se uma formalização do acordo atingido. - WIKIPEDIA

Por, Ussumane Grifom Camará

Hoje infelizmente, ao abrigo do número 2 do artigo 130 da Lei Eleitoral 03/98, cai por terra o último resquício "vivo" do insustentável Acordo de Lomé, a realização das eleições legislativas à 18 de Novembro; uma adenda morta do (des)acordo de Conacri que despreza a nossa conjuntura sociopolítica e nos forja, talvez cegamente, a uma investida inviável tanto pela cronologia da sua aplicação como pela exequibilidade na resolução definitiva das cíclicas crise que a Guiné-Bissau tem vivida consequências da incapacidade política dos nossos dirigentes e agentes políticos e partidários. A lei prevê claramente que o timing limite para a entrega, no STJ, das candidaturas aos cargos de deputados é de 60 dias antes das eleições.

Entretanto, devo lembrar que entre outros assuntos o Acordo de Lomé prévia a revisão Constitucional, as reformas administrativas e nos setores da defesa e segurança e a reintegração do G15 e partindo do princípio de que só a formação de um governo inclusivo (um dos pontos) foi observada pode-se concluir, em termos genéricos, a nulidade do Acordo.

Porém essa falha coletiva motivada pela falta de vontade das entidades responsáveis pela execução desse ponto - a realização das eleições - e do desconhecimento total da nossa realidade da parte da comunidade internacional só pode nos convidar uma reflexão: eleições à feita pressa, que soluções? Na verdade, não é nova essa questão, há quase três anos - desde que se vem pronunciar na necessidade duma eleição antecipada - é que vim fazendo esse exercício partindo da lógica de que já foram oito ciclos eleitorais em vinte anos (1994 - 2014) e nenhuma dessas eleições serviram de ponte para a estabilização nacional e quiçá do arranque ao progresso. Ainda não nos passa pela cabeça que enquanto teimamos a adiar os trabalhos de casa nenhuma investida às urnas serão soluções para o nosso problema! Nenhuma.

Outrossim, sendo o cumprimento da data 18 de novembro a missão principal deste governo e agora que pela legalidade fracassou, o que esperamos dele? Quais saída vão nos apresentar? Voltaremos de novo à Lomé? Ou nos faremos de surdos tocando a bola para frente numa afronta às leis abrindo mais outros precedentes aos atropelos constantes das leis? Nô utani. Essa Guiné-Bissau é na verdade um djongagu pesado para as nossas cabeças! Só pode. E agora, quem dará mão à palmatória?


SETEMBRO - DE VITORIOSO A CRIMINOSO


Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos

Por, Dr. Jorge Herbert

“O intelectual colonizado que quer fazer uma obra autêntica deve saber que a verdade nacional é, primeiramente, a realidade nacional.” Frantz Fanon

Em 1956, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Elisée Turpin, Rafael Barbosa e outros companheiros, despidos de qualquer protagonismo, ou melhor, imbuídos do espírito altruísta e revolucionário, construído por uma elevada consciência cívica e nacionalista, fundaram aquilo que viria ser de denominado de Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo-Verde PAIGC, um movimento que pretendia chamar atenção ao mundo para a repressão colonial nos territórios da Guiné e Cabo-Verde e, dessa forma, pressionar o estado português a negociar a independência desses países.

O próprio Estado colonial português não deu relevância a esse movimento que tinha como património, apenas a consciência nacionalista dos seus membros fundadores. O massacre de Pindjiguiti, três anos após a formação do PAIGC, veio dar razões à população para se aglutinarem em torno desse movimento e da sua causa, o que fez chegar os primeiros apoios externos do mundo revolucionário comunista e declarou-se a guerra contra o colonialismo português em 1963.

Com os devidos apoios, o PAIGC conduziu a luta de libertação nacional nem sempre de forma coesa e consistente, porque, em qualquer aglomerado de homens com motivações e interesses próprios, as opções da chefia, algumas até repressivas e de exclusão, começaram a ser questionadas e começaram a surgir resistências e conflitos no seio do partido, por parte dos mais descontentes. Esses conflitos e desconfortos dentro do partido foram crescendo de frequência e gravidade e difundindo-se progressivamente pelas várias frentes da luta, através de calúnias, difamações e traições, também aproveitados pelo inimigo colonial, até ao seu ponto mais alto, que foi a decapitação do próprio partido, com a eliminação física do seu líder Amílcar Cabral e detenção da segunda figura (Aristides Pereira) e outros altos dirigentes do partido, estes tendo sido libertados horas depois.

Essa decapitação veio agravar a divisão no seio do partido, intensificando a luta pela sobrevivência dentro do partido, com alianças de ocasião com várias motivações, acentuando mais as intrigas e calúnias que foi enfraquecendo o partido, que mesmo assim, pelo sentimento de revolta da maioria dos militantes do partido pelo assassinato de Cabral, conseguiu concretizar o objetivo principal, que foi conduzir a luta armada até a independência da Guiné e Cabo-Verde. Na sua tentativa de reestruturação, o PAIGC beneficiou da queda do Estado Novo em Portugal e o novo poder português viu-se forçado a negociar com o PAIGC a independência da Guiné e Cabo-Verde.

Cabral dizia que o exército do PAIGC não era composto por militares, mas sim por militantes armados que, após conseguir a independência, voltariam para as suas profissões, ou seja lavrar os campos, já que a maioria que aderiram à força militarizada do PAIGC eram camponeses. Cabral, na preparação de consciências, sempre insistiu num plano com dois programas, o mínimo e o maior. Consciente da complexidade do dirigismo de um país e do respetivo Estado, denominou como programa maior a reestruturação do Estado e o assegurar do desenvolvimento socioeconómico do país e, apesar de ter provocado maior sacrifício físico e dor da perda de combatentes tombados, demonstrou sempre que a luta armada era o programa mínimo.

Cabral sempre receou que as novas elites nacionais se transformassem em novos colonizadores, aproveitando-se da parca formação do povo, para o oprimir e explorar. Por isso, sempre fez a ênfase de que os dois programas (mínimo e maior) só faziam sentido se fossem do povo e para o povo. Defendeu a ideia da condução da luta do campo para a cidade, para que o “encontro de Ensalma” fosse um verdadeiro encontro entre classes, que poderia elevar o sentimento de africanidade dos novos líderes e fazê-los perder o sentimento de superioridade ou de poder e por outro lado, fazer sentir a classe camponesa, trabalhadora e participante ativa na luta de libertação, a sua importância na libertação do país.

Cabral questionado sobre para quê a independência, respondeu que a independência seria para nós, em primeiro lugar, para sermos nós próprios. Para sermos homens africanos, com tudo o que nos caracteriza, mas caminhando para uma vida melhor, e que nos identifique, cada vez mais com os outros homens no mundo.

Declarada a independência nacional, os “N’bai luta” esqueceram todas as orientações de Cabral, passaram por cima do encontro de Ensalma e resolveram cobrar ao país e o seu povo um preço muito alto pelos seus empenhos na luta armada. Chamaram a eles, aos seus familiares e amigos, todos os direitos e mais algum. Para conseguirem manter essas regalias oprimiram o povo, provocaram a degradação social e do Estado, mantendo o povo desinformado e no obscurantismo. O povo, mergulhado no obscurantismo a que foi remetido, foi assistindo as disputas internas dentro do partido, ora aplaudindo uns, ora odiando e insultando outros. E, tornando-se cada vez mais uma prática comum no partido, com alguma extensão à sociedade, o PAIGC foi aperfeiçoando a cultura do amiguismo, do compadrio, da calúnia, da difamação e da eliminação física dos adversários políticos, militares e civis. Cada vez mais despido da moral pública e da sua responsabilidade histórica, o PAIGC acostumado ao poder e ao bem-estar que este proporciona a todo seu clã, foi se distanciando cada vez mais dos valores que Cabral transmitiu nos seus ensinamentos, distanciando-se também do sofrido povo, foi transformando-se na organização mais criminosa que a Guiné-Bissau alguma vez conheceu, em que a perícia em apoderar-se dos bens públicos, viver folgadamente do que é do Estado, assassinar ou orquestrar o assassinato dos adversários, com base em intrigas e calúnias, tornou-se no “modus operandi” constante nas primeiras páginas do manual de sobrevivência no topo da hierarquia dessa organização criminosa.

Com o país a ser dirigido por mais de quatro décadas, por um punhado de criminosos, foi inevitável que a epidemia da pobreza agrassasse a população, que as infraestruturas do país se degradassem, que se assistisse a degradação social com aumento do fosso entre aqueles que têm acesso à riqueza controlada pelos criminosos que vão ciclicamente alternando na representação do Estado e aqueles que fazem parte do povo que tem que fazer ginásticas para sobreviver de forma condigna.

Viver de forma condigna, com famílias estruturadas, foi um dos pilares de uma sociedade estruturada que o PAIGC destruiu, sem qualquer pingo de moralidade, com o aumento do fosso entre os ladrões do Estado e aqueles que querem viver de forma condigna, ou aqueles que não conseguiram aceder ao circuito do desvio dos fundos.

O PAIGC que sempre se confundiu (e insiste em continuar a confundir-se) com o Estado guineense, transformou o salário de um funcionário público, por conseguinte chefe de família, numa miragem, ao ponto de alguns dos seus líderes acharem que pagar os salários da função pública a tempo e horas é um grande feito político e uma grande obra, como se os direitos dos trabalhadores fosse uma lenda referente às outras sociedades e outros povos, que não o povo trabalhador guineense!

Com a ausência ou presença muito intermitente do salário do trabalhador e chefe de família, o PAIGC provocou a perda da autoridade marital e paternal do chefe da família, estimulando os filhos rapazes a procurarem esquemas de sobrevivência nas ruas de uma cidade cada vez mais empobrecida e degradada. As filhas raparigas fizeram a opção forçada (passe a contradição) de se prostituírem desde muito novas, com pomposas denominações, inicialmente de “subdezassetes” e hoje de “Catorzinhas”, que só a ignorância e um requinte de malvadez consegue fazer homens maduros deliciarem-se no abuso dessas coitadas que entregam as suas intimidades aos prazeres dos malvados tarados, para conseguirem uma refeição, um vestido, um relógio, uma extensão no cabelo ou apenas e só colares ou pulseiras! As mães de família, com a intermitência cada vez mais prolongada do salário dos chefes de família, começaram a ter de “pular a cerca” para conseguirem manter alguma segurança e conforto pessoal, dos seus filhos e das suas famílias, “empurradas”, por uns criminosos que se dizem representantes do Estado, para a degradação do matrimónio e à descarada falta de respeito ao chefe de família, que sem recursos financeiros não tem como competir, muito menos defender-se. Foi a intermitência do salário transformado na “intermitência da morte” que Saramago retratou numa das suas obras, mas neste caso dos chefes de família guineenses!

Essa destruturação social, por consequência, levou à degradação de todos outros pilares da sociedade, para além da família. No ensino, o professor que não recebe salário a tempo e horas, não pode estar motivado para ensinar, nem tão pouco para se atualizar na sua área profissional. Na justiça, o Juiz que não recebe salário para além de não estar motivado para o exercício imparcial da sua profissão, vendendo as suas sentenças para sobreviver com alguma dignidade. O médico que não recebe o seu salário, a carência financeira fez-lhe esquecer quem foi Hipócrates e que juramento fez, condicionando a vida e a saúde dos seus utentes ao que estes podem aportar-lhe em termos monetários e de outros bens.

Fico apenas por esses escassos exemplos profissionais, para não alongar mais, que este texto já vai longo e ainda falta muito por dizer, sobre as quatro décadas e meia de independência geridas pela organização mais criminosa que a Guiné-Bissau alguma vez conheceu – o PAIGC.

Toda essa degradação do Estado e da sociedade, interessou apenas e só ao punhado de criminosos que assaltaram o aparelho do Estado, após terem desalojado o colonialismo português, motivo pelo qual até se matam entre eles para a sobrevivência no cume do partido, que é a forma mais fácil e rápida de deitar a mão à uma fatia do erário público. Para esses criminosos, matar é pouco para poder construir uma grande casa de gostos arquitetónicos duvidosos, ter um bom carro com ar condicionado, visitar o leito de várias mulheres, de catorzinhas às casadas e, ainda, conseguir manter o povo no obscurantismo e na miséria, para continuar a admirar os seus mais básicos instintos de “matchundadi”. Até tornou-se mito e diz-se por aí de boca cheia, de que quem for contra o PAIGC, cai na desgraça. O que demonstra o poder e o domínio que esse partido criminoso sempre teve sobre o martirizado povo, importando-se pouco ou nada com o desenvolvimento do país e o bem-estar do povo, sendo este a principal motivação que levou Cabral e tantos outros a entregarem as suas próprias vidas.

Os conflitos dentro do PAIGC, entre os tais militantes militarizados de que Cabral falava, transbordou de forma grave para a sociedade, com o instalar da guerra de junho de 1998, de que o país até hoje ainda lida com as suas sequelas.

Por causa dos criminosos do PAIGC, a Guiné-Bissau consegue ter dos índices de desenvolvimento mais vergonhoso do mundo! Mesmo perante evidência dessa vergonha mundial, no seu profundo autismo ou exacerbado chico-espertismo, o PAIGC continua a insistir ser o único partido capaz de conduzir os destinos da Guiné-Bissau!

Deixo aqui dez índices de 2016 (fonte www.indexmundi.com), que provam a miséria em que os criminosos que dizem terem libertado a Guiné-Bissau remeteram o país:

1. Entre os 225 países do mundo, a Guiné-Bissau ocupa o vergonhoso 6º lugar dos países com maior taxa de mortalidade anual (14,1 mortes/1.000 habitantes).

2. Quanto à taxa de mortalidade infantil, a Guiné-Bissau ocupa a vergonhosa 4ª posição dos países em que morrem mais nados mortos (87,5 mortes/1.000 nascimentos).

3. A Guiné-Bissau é o penúltimo país no Ranking da expetativa de vida ao nascimento (51 anos), ocupando a posição 222 dos 223 países avaliados, sendo o último lugar ocupado pelo Chade. Quer dizer, que uma criança nascida na Guiné-Bissau, permanecendo no país, em média vive até os 51 anos. Apenas a título de exemplo, Cabo Verde, que cedo se libertou do PAIGC, ocupa o lugar 148, com a expetativa de vida à nascença de 72,4 anos, enquanto Portugal ocupa a posição 47º, com 79,4 anos.

4. Nos 162 países avaliados, a Guiné-Bissau ocupa a vergonhosa posição 143 da taxa de alfabetização, tendo apenas 59,9% da sua população alfabetizada.

5. Dos 181 países avaliados, ocupamos o triste 18º lugar na taxa de mortalidade materna, com a morte de 549 mulheres por cada 100 mil nascimentos!

6. A Guiné-Bissau é dos países do mundo que menos produz, com PIB de 3,07 biliões de dólar/anual, ocupando a posição 187 dos 227 países avaliados. Mesmo com o PIB atual, bem gerido, podíamos estar melhor, em relação à outros índices de desenvolvimento humano.

7. Ocupamos o horrendo 7º lugar dos países com percentagem da população abaixo do limiar da pobreza. 67% da população guineense vive abaixo do limiar da pobreza!

8. Quando falamos da densidade de médicos, a Guiné-Bissau tem 0,08 médicos por cada 1.000 habitantes! Ocupa o lugar 164 dos 182 países avaliados! AH GUINÉ!

9. A nossa Guiné-Bissau dispõe de uma cama hospitalar por cada 1.000 habitantes! Ocupa a posição 148 dos 182 países referenciados! AH SISTEMA DE BOÉ!

10. A taxa de incidência de VIH/SIDA na população adulta é de 3.1%, ocupando a triste 20ª posição entre os 131 países analisados!

Se em 44 anos de vida como país independente, o partido libertador foi transformado em partido criminoso e opressor do povo, a pergunta que surge, é como esses criminosos conseguiram sobreviver sem uma revolta popular que os arrede da mama do Estado?

O motivo dessa manutenção do PAIGC sempre no poder ou exercendo uma enorme força de bloqueio aos que lá chegaram, está implícito no texto anterior.

O PAIGC não perde oportunidade de fazer valer o ditado de que quem se mete com eles desgraça-se. Ora por via direta do espancamento ou de assassinatos, ora por via da perseguição muitas das vezes com perda de emprego, outras ainda pela via da intriga, calúnias e difamações. Este último método, aparentemente é o mais usado nos últimos tempos, com o uso e abuso da possibilidade de propagação das informações falsas por via das redes sociais.

Sendo o PAIGC quem controlou o Estado nos últimos 44 anos, tiveram a facilidade de remeter para a desgraça profissional qualquer indivíduo que se lhes opusesse, criar carência dos produtos mais básicos no seu lar, oferecer alternativas financeiras às respetivas esposas e/ou filhas, em troca de prazeres sexuais, que posteriormente serão publicamente usados, sem qualquer pejo, para dar o “K.O. social” ao chefe de família que ousou enfrentá-los e afrontá-los. Pelo que, quem na sociedade guineense ousar enfrentar o PAIGC, corre sérios riscos de ser remetido para a miséria humana. Aquele a quem não conseguem meter debaixo das suas patas, pelas técnicas que acabei de referir, são espancados até à desfiguração ou alguma deficiência física provocada. Outros como eu, que se encontram quase inalcançáveis pelas suas técnicas de opressão, investem no insulto e difamação pública através das redes sociais, com a multiplicação de perfis falsos e com o devido conhecimento do líder do partido Domingos Simões Pereira.

E o povo, maioritariamente analfabeta e mantido intencionalmente no obscurantismo, aprendeu a temer o confronto com esse monstro que ontem foi o seu exemplar libertador e hoje tornou-se no seu carrasco! Até o Presidente da República José Mário Vaz, eleito pelo povo com o apoio do PAIGC, não foi poupado pelas técnicas baixas e mórbidas desse partido, quando resolveu colocar-se do lado do povo e enfrentar os hábitos nocivos instalados no seio do partido. Insultar e caluniar o Presidente da república tornou-se quase num modo de diversão pública criado e instigado pelos apoiantes do PAIGC!

Para além dessas técnicas, acima descritas, o PAIGC teve a felicidade de ter tido um líder fundador de dimensão internacional, respeitado dentro e fora do país, mesmo a título póstumo. Então, Amílcar Cabral e as suas ideias e ideologias dirigidas ao bem-estar do povo, ainda hoje é aproveitado até à exaustão pelo partido atualmente criminoso, como mote para iludir o povo, que continua ansioso a espera da reinvenção de um novo Cabral, surgido no seio do PAIGC.

Esse povo, sedento de um novo Cabral, salvador da pátria, vai aceitando e agarrando-se aos promissores líderes inventados e reinventados pelo PAIGC, com similitudes com Cabral, antes na bravura guerreira de Nino Vieira, no charme e pacifismo de Malam Bacai Sanhá e agora com a similitude de DSP, no que concerne à inteligência por ele ainda não convincentemente demonstrada.

Domingos Simões Pereira surge como se nunca pertenceu à esta organização criminosa, nunca foi Ministro indigitado por ela, nunca usufruiu dos desmandos desse partido, vindo de uma outra galáxia luso-caboverdeana, enfeitado de títulos académicos e outros, conquistados nas terras lusas que deve importar ao povo guineense saber como, personificando a imagem de Cabral que veio para salvar o país e o seu povo, sem dizer ao próprio povo o que terão de retribuir aos outros povos da galáxia de onde veio…Domingos Simões Pereira é membro do PAIGC desde muito novo, usufruiu de todos os desmandos do PAIGC, chegando a ser Ministro por duas vezes pelas mãos desse parido e, nunca se ouviu a sua voz a criticar ou enfrentar todos os desmandos e a opressão a que o seu partido submeteu ao povo guineense e, agora surge como uma nova figura que quer reinventar o partido e a sociedade guineense!

Quando vejo elementos do atual PAIGC a lutar para provocar a todo o custo a descida do preço da castanha de cajú, apenas e só porque foi o Presidente da República, o adversário mais direto a abater, com evidente prejuízo dos agricultores, lembro-me mais uma vez da verdadeira dimensão de Cabral e de quão mesquinho se tornou o partido que ele fundou! Segundo o próprio Cabral:

“Nunca mobilizamos as pessoas com base na luta contra o colonialismo. Isso não dava nada. Falar da luta contra o imperialismo não dava entre nós. Em vez disso, falávamos uma linguagem direta e acessível a todos (...) já pagaste os teus impostos? Quanto ganhas com a tua mancarra? Já pensaste o que lucras com a tua mancarra? E o trabalho que ela custou à tua família?”

Se o PAIGC não quiser assumir de forma pacífica o seu lugar na história e a sua responsabilidade moral de partido libertador, continuando a amordaçar o povo para mantê-lo no obscurantismo, o próprio povo terá de destruir o monstro para poder construir o país.