sábado, 5 de janeiro de 2019

Acusação judicial dos EUA assume que ex-PR moçambicano Guebuza foi subornado. Mesa Redonda – “ Terra Ranka”, semelhante ou não?

O antigo ministro da Economia e Finanças guineense, Geraldo Martins, acredita que se o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), vencer as próximas eleições legislativas no país, garantirá estabilidade política institucional para criar condições e mobilizar os fundos da conferência de doadores realizados em Bruxelas.

O despacho de Acusação da Justiça dos Estados Unidos no caso das dívidas ocultas de Moçambique, a que a Lusa teve hoje acesso, assume que o ex-Presidente Armando Guebuza recebeu subornos para viabilizar o financiamento da empresa estatal Proindicus.

Na acusação, os procuradores norte-americanos usam a correspondência trocada entre os acusados para tornar claro que altos responsáveis do ministério da Defesa, do Interior e Força Aérea em 2011 também terão beneficiado, mas não apontam especificamente o nome do antigo ministro da Defesa e atual Presidente da República, Filipe Nyusi.

A acusação cita um email de novembro de 2011 que Jean Boustani, o libanês que negociou os empréstimos em nome da Privinvest, recebeu de uma pessoa cujo nome está rasurado, mas que a acusação sabe quem é, no qual se lê: “Para garantir que o projeto tem luz verde do Chefe de Estado [à data Armando Guebuza], um pagamento tem de ser combinado antes de chegarmos lá, para sabermos e acertarmos, bem antes do tempo, o que tem de ser pago e quando”.

Logo de seguida, esta pessoa não identificada acrescenta: “Quaisquer que sejam os pagamentos adiantados que tenham de ser pagos antes do projeto, eles podem ser incorporados no projeto e recuperados”.

A Acusação norte-americana, feita ao abrigo da Lei das Práticas de Corrupção Estrangeiras (FCPA, no original em inglês), apresenta de seguida a resposta de Boustani a esta pessoa, na qual o libanês alerta para as “experiências negativas em África, especialmente relativamente a ‘taxas de sucesso'”, uma expressão conhecida e que é usada para significar o pagamento de subornos para garantir a aprovação com sucesso dos projetos.

Na resposta, enviada três dias depois, a pessoa cujo nome está rasurado, mas que aparenta ser um membro do Governo, afirma: “Fabuloso, concordo consigo em princípio; vamos combinar olhar para o projeto em dois momentos distintos; um momento é o da massagem do sistema e a obtenção da vontade política para avançar com o projeto; o segundo momento é a implementação e execução do projeto”.

Logo de seguida, escreve: “Concordo consigo que quaisquer montantes só podem ser pagos depois da assinatura do projeto, isto tem de ser tratado de forma separada da implementação do projeto… Porque para a implementação do projeto haverá outros agentes cujos interesses têm de ser atendidos, por exemplo o Ministério da defesa [à data liderado pelo atual Presidente da República, Filipe Nyusi], o Ministério do interior [à data liderado por Alberto Mondlane], força aérea, etc… nos governos democráticos como o nosso as pessoas entram e saem, e toda a gente envolvida vai querer a sua fatia do bolo enquanto estiver no Governo [‘in office’, no original em inglês], porque depois de sair vai ser difícil. Por isso é importante que a assinatura do contrato da taxa de sucesso seja acertada e paga no seguimento da assinatura do contrato”.

Menos de um mês depois, dizem os procuradores norte-americanos, usando a troca de emails entre os envolvidos, “os acusados Jean Boustani e NOME RASURADO acordam o pagamento de 50 milhões de dólares em subornos e ‘luvas’ a membros do Governo de Moçambique e 12 milhões de dólares em ‘luvas’ [kickbacks’, no original em inglês] para os co-conspiradores da Privinvest”.

O antigo ministro das Finanças moçambicano e atual deputado pelo partido no poder, Manuel Chang, foi detido no sábado na África do Sul, acusado de lavagem de dinheiro e fraude financeira. Manuel Chang permanecerá sob custódia até voltar a ser ouvido em tribunal, no próximo dia 08 de janeiro, e o seu advogado já indicou que vai contestar o pedido de extradição para os Estados Unidos.

De acordo com o despacho de acusação da Justiça norte-americana, foram investigadas três empresas criadas para levar a cabo operações de “fiscalização marítima”, apoio à pesca do atum e reparação naval.

O esquema passou pela concessão de empréstimos a estas três empresas no valor de mais de 2 mil milhões de dólares (1.760 milhões de euros), garantidos pelo Governo moçambicano, entre 2013 e 2016.

O dinheiro “deveria ter sido utilizado exclusivamente em projetos marítimos”, pode ler-se no despacho de acusação consultado pela Lusa.

“Na realidade”, acrescenta o texto, “os acusados criaram o projeto marítimo como um embuste para enriquecimento próprio e para desviarem intencionalmente partes dos empréstimos para pagamento de comissões a si mesmos e de subornos na ordem de, pelo menos, 200 milhões de dólares a representantes do Governo moçambicano e outros”.

GERALDO MARTINS: “É POSSÍVEL GUINÉ-BISSAU RECUPERAR PROMESSAS DA MESA REDONDA DE BRUXELAS”

O antigo ministro da Economia e Finanças guineense, Geraldo Martins, acredita que se o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), vencer as próximas eleições legislativas no país, garantirá estabilidade política institucional para criar condições e mobilizar os fundos da conferência de doadores realizados em Bruxelas.

“Acreditamos que se voltamos a governação (PAIGC) depois das eleições legislativas de 10 de março do ano em curso, temos as condições novamente de demonstrar que é possível estabilidade politica e institucionalmente poder criar condições para mobilizar os tais fundos prometidos em 2015”, argumentou Martins.

Geraldo, falava numa entrevista concedida a Rádio Jovem e Bombolom FM, no quadro de apresentação da obra “a governação e exercício político durante a IX legislatura na Guiné-Bissau”, no qual refere que o PAIGC está mais bem posicionado para fazer valer as ajudas financeiras.

O antigo governante fez lembrar aos guineenses que foi o PAIGC que liderou o processo de elaboração e apresentação do documento estratégico denominado “Terra Ranka”, mas também a confiança que foi depositado pela comunidade internacional é devido a seriedade das pessoas que estavam presente no encontro.

Apesar do bloqueio dos fundos pelos parceiros internacionais devido a crise política que iniciou após a queda do governo de Domingos Simões Pereira em Agosto de 2015, Martins mostrou-se confiante na recuperação dos apoios da mesa redonda de doadores para estratégia de desenvolvimento da Guiné-Bissau.

“Depois das eleições legislativas vai haver legitimação dos órgãos da soberania do país, vamos ter parlamento legitimado e um governo legitimado e claro que o Chefe de Estado continua com a sua legitimação porque tem um mandato de 5 anos, por isso, o país vai ter duas instituições da república legitimadas renovadas que lhes permitir dialogar com os parceiros internacionais sobre as promessas da mesa redonda de Bruxelas”, referiu Martins.

Igualmente dirigente do PAIGC, Martins revelou que após a realização do escrutínio o seu partido vai começar logo a dialogar com a comunidade internacional no sentido de criar um fórum para tratar as questões de apoios para implementação do documento estratégico “Terra Ranka”.

O documento estratégico que estava previsto para ser implementado entre 2015 e 2025, mas devido a crise política que assolou a Guiné-Bissau nunca chegou de ser executada, mas segundo a indicação de Martins vai ser atualizado nos próximos tempos.

De recordar que em Março de 2015, o Governo da Guiné-Bissau veio da mesa redonda de doadores em Bruxelas e conseguiu mais de 427 milhões de euros de apoios financeiros para pôr em prática a sua estratégia de desenvolvimento para os próximos dez anos foi a meta do Governo da Guiné-Bissau para esta mesa redonda dos doadores. 

O dia em Bruxelas foide sala cheia. Dezenas de países e organizações internacionais compareceram à chamada. O Presidente do Senegal, Macky Sall, foi uma das figuras de destaque na abertura.


Na sua longa entrevista que decorreu na sua residência em Bissau no passado dia 30 de Dezembro de 2018, Geraldo Martins abordou vários assuntos, nomeadamente a questão do PROCESSO RESGATE A BANCA PRIVADA e a perseguição do Ministério Público aos dirigentes do PAIGC.

Acusação inclui mais cinco suspeitos moçambicanos além de ex-ministro em caso sobre dívidas ocultas

O processo da justiça norte-americana sobre as dívidas públicas ocultas de Moçambique envolve mais cinco suspeitos moçambicanos, além do ex-ministro das Finanças Manuel Chang.

Alem das cinco pessoas já acusadas, segundo a Acusação a que a agência Lusa teve hoje acesso, são suspeitos outros sete elementos, cinco dos quais de nacionalidade moçambicana, ligados ao negócio que envolveu empréstimos de dois mil milhões de dólares para o Estado angolano, acentuando uma crise financeira que levou o país a entrar em 'default' no pagamento aos credores internacionais.

Entre os de nacionalidade moçambicana, a Acusação inclui dois nomes rasurados ao longo do texto que só serão divulgados após o cumprimento de mandados de detenção e outros três "co-conspiradores" moçambicanos, cujas identidades não são descritas no documento e que terão recebido dinheiro em transferências bancárias de contas localizadas nos Emirados Árabes Unidos e em Nova Iorque.

Por essa razão, o caso das dívidas ocultas de Moçambique está a ser investigado pelo tribunal dos EUA, no distrito leste de Nova Iorque, Brooklyn e baseia-se no código dos Estados Unidos do Ato das Práticas de Corrupção Estrangeiras (FCPA, na sigla em inglês), que condena o pagamento de subornos a membros de governos.

Até ao momento, foram já formalmente acusados cinco suspeitos: o ex-ministro das finanças moçambicano Manuel Chang, o negociador libanês Jean Boustani que era executivo do Privinvest Group, uma holding sedeada no Abu Dabi detentora de um estaleiro naval, e três antigos banqueiros que intermediaram empréstimos superiores a dois mil milhões de euros com garantia estatal de Moçambique, o neozelandês Andrew Pearse, antigo diretor do banco Credit Suisse, o britânico Surjan Singh, diretor no Credit Suisse Global Financing Group e a búlgara Detelina Subeva, vice-presidente deste grupo.

"No cumprimento do esquema fraudulento, numerosos elementos do Governo moçambicano receberam subornos da [empresa armadora] Privinvest em ligação com os projetos moçambicanos", escreve a acusação a que hoje a Lusa teve acesso.

"O co-conspirador moçambicano 1", pode ler-se na acusação, "esteve envolvido em obter a autorização do Governo moçambicano para o projeto Proindicius".

"O co-conspirador moçambicano 2, um indivíduo cuja identidade é conhecida do Grande Juiz, era um familiar de um alto funcionário de Moçambique", afirma também a acusação.

Por último, o terceiro co-conspirador é descrito como "alto funcionário do Ministério das Finanças de Moçambique e diretor da Ematum", uma das três empresas públicas moçambicanas que contraíram dívidas ocultas.

A Ematum, Proindicus e MAM são as três empresas referidas na acusação norte-americana, ligadas à segurança marítima e pescas.

A acusação da justiça norte-americana indica que Jean Boustani e outros suspeitos procederam a pagamentos de subornos a "funcionários do Governo moçambicano".

Estas transações começaram depois da assinatura de um contrato inicial de 366 milhões de dólares para um sistema de monitorização da zona costeira em Moçambique, em janeiro de 2013, entre as empresas Privinvest e a moçambicana Proindicus.

Especificamente da empresa Privinvest, Manuel Chang é acusado de ter sido subornado com mais de 5 milhões de dólares, o Co-Conspirador moçambicano 1 recebeu pelo menos 8,5 milhões, o segundo Co-Conspirador recebeu pelo menos 9,7 milhões de dólares e o Co-Conspirador 3 teve pelo menos dois milhões de dólares em subornos da Privinvest.

O antigo ministro das Finanças moçambicano e atual deputado pelo partido no poder, Manuel Chang, foi detido no sábado na África do Sul, acusado de lavagem de dinheiro e fraude financeira. Manuel Chang permanecerá sob custódia até voltar a ser ouvido em tribunal, no próximo dia 08 de janeiro, e o seu advogado já indicou que vai contestar o pedido de extradição para os Estados Unidos.

De acordo com o despacho de acusação da Justiça norte-americana, divulgado esta quinta-feira pelo tribunal federal em Brooklyn, foram investigadas três empresas criadas para levar a cabo operações de "fiscalização marítima", apoio à pesca do atum e reparação naval.

O esquema passou pela concessão de empréstimos a estas três empresas no valor de mais de 2 mil milhões de dólares (1.760 milhões de euros), garantidos pelo Governo moçambicano, entre 2013 e 2016.

O dinheiro "deveria ter sido utilizado exclusivamente em projetos marítimos", pode ler-se no despacho de acusação consultado pela Lusa.

"Na realidade", acrescenta o texto, "os acusados criaram o projeto marítimo como um embuste para enriquecimento próprio e para desviarem intencionalmente partes dos empréstimos para pagamento de comissões a si mesmos e de subornos na ordem de, pelo menos, 200 milhões de dólares a representantes do Governo moçambicano e outros".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

PRS e grupo de partidos políticos fazem seis exigências ao Presidente guineense


A carta aberta entregue hoje pelo Partido de Renovação Social (PRS) e um grupo de partidos políticos ao Presidente guineense, José Mário Vaz, inclui seis exigências relativas ao registo eleitoral, nomeadamente o afastamento dos "implicados nas malícias" do processo.

A carta, a que a agência Lusa teve acesso, foi subscrita pelo PRS, Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), União Patriótica Guineense, APU-PDGB (Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau), grupo de 18 partidos congregados, Partido da Convergência Democrática e Partido para a Justiça, Reconciliação e Trabalho.

Os partidos políticos exigem, em primeiro lugar, do "primeiro-ministro e do Presidente da República a demissão imediata da ministra da Administração Territorial e consequente nomeação para aquelas funções de uma figura de reconhecida idoneidade".

Em segundo, os partidos políticos exigem a demissão do responsável pela base de dados do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) e "dos demais implicados nas malícias do processo de recenseamento e em todo o processo eleitoral".

A convocação para a Guiné-Bissau da empresa nigeriana envolvida no processo, bem como a transferência da gestão do processo para o país é outra das exigências dos partidos políticos, que querem também a transferência dos dados do atual servidor para um novo.

Os partidos políticos exigem também que "seja concluído o processo de recenseamento eleitoral e emitidos novos cartões de eleitores", que sejam "fiáveis e dignificantes", e a extinção das comissões de acompanhamento do processo criadas pelo primeiro-ministro, que consideram ilegais.

"O Coletivo dos Partidos Políticos subscritores volta a exortar ao povo guineense para se manter calmo e confiante e aos cidadãos com idade para adquirir capacidade eleitoral ativa e a recensearem-se para o pleno exercício da cidadania", referem na carta.

Na missiva, os partidos políticos agradecem o apoio da comunidade internacional e afirmam estar empenhados em participar e contribuir para um processo eleitoral inclusivo, credível e aceite por todos os partidos políticos.

As legislativas na Guiné-Bissau estavam marcadas para 18 de novembro, mas dificuldades técnicas e financeiras levaram a atrasos no início do recenseamento, que acabou por ter de ser prolongado para além da data prevista para a realização das eleições.

A forma como o recenseamento está a decorrer tem estado a ser contestado por vários partidos políticos e pela sociedade civil.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, anunciou já que só marcará a nova data das legislativas após o recenseamento estar completo.

O Governo guineense tem apelado a todos os cidadãos eleitores para fazerem o seu recenseamento para participarem nas eleições. //Lusa







terça-feira, 20 de novembro de 2018

Desentendimento entre primeiro-ministro, o incompetente e irresponsável Aristides Gomes e sindicatos dos professores

Aristides Gomes afirma que greve não significa derrubar escolas. As últimas declarações do primeiro-ministro, Aristides Gomes, em que falou de "greves selvagens”.

Aristides Gomes afirma que os professores não estão em condições de contribuir para a formação de jovens capazes de enfrentar as concorrências para com os filhos de ministros que estão a estudar l fora do país


O primeiro-ministro, Aristides Gomes, da etnia manjaca, a mesma do presidente José Mário Vaz, de não tem sensibilidade e nem flexibilidade para os problemas do país, afirmou sindicatos
  
Prossegue a troca de acusações em tom de insulto entre o primeiro-ministro e os três sindicatos de professores das escolas públicas que estão em greve. Aristides Gomes afirma que greve não significa derrubar escolas.

Os três sindicatos de professores das escolas públicas da Guiné-Bissau, em greve há quase 50 dias, acusam o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de não ter sensibilidade e flexibilidade para os problemas do país, e de manter uma postura arrogante e face às greves recorrentes dos docentes, por enquanto sem fim à vista.

A polémica em torno da resolução da paralisia nas escolas do Estado assume a cada dia que passa proporções preocupantes, com acusações em tom de insultos. As últimas declarações do primeiro-ministro, Aristides Gomes, em que falou de "greves selvagens” de 20 em 20 dias até fim do ano, praticadas pelos professores e que põem em causa o nível dos estudantes e a competência dos professores, acabaram por aquecer o debate público em torno do sector educativo.

"Estas greves não só põem em causa o conhecimento dos alunos, mas também dos professores. Um professor que não exerceu durante um ano, será que no ano seguinte terá condições para leccionar? Mesmo nos países com estabilidade no sector da Educação fazem-se exames aos professores todos os anos para saber se estão aptos a continuar a leccionar. Mas se o professor passar um ou dois anos sem dar aulas por causa de greves selvagens, será que ainda estará em condições de contribuir para a formação de jovens capazes de enfrentar as concorrências dos que estudaram lá fora?” Questionou no último fim-de-semana, o chefe de Governo dirigindo-se aos jovens.

Polémica instalada

As palavras do primeiro-ministro não caíram bem no seio dos professores que acusam Aristides Gomes de ter má conduta e de insultar regularmente os professores ao invés de resolver os seus problemas, como disse em entrevista à DW África Laureano Pereira, presidente do Sindicato Democrático dos Professores. De acordo com o presidente do SINDEPROF, os sucessivos Governos fazem promessas aos professores que nunca são cumpridas alegando sempre que o momento não é propício para a greve nas escolas do Estado.

"Temos que continuar a nossa luta apesar de termos um primeiro-ministro que anda a insultar os professores, chamando-lhes de selvagens. É um primeiro-ministro insensível, inflexível, arrogante e prepotente para com as pessoas que trabalham na área da educação. Como é que se diz que o momento não é ideal para a greve, quando são só os professores que não recebem? Os ministros recebem os seus salários todos os meses e os respectivos subsídios. Os governantes ganham milhões e os seus filhos não estudam nas escolas públicas. E ainda dizem que o momento não é propício? “Questiona Laureano Pereira.

Pagamento parcial das dívidas

Na entrevista à DW África, Laureano Pereira questionou ainda a coerência e transparência do primeiro-ministro que acumula a chefia do executivo com a pasta das finanças. O sindicalista acusa Aristides Gomes de mandar suspender o pagamento das dívidas para com os professores, na mesma altura em que obrigou o Estado guineense a cumprir outras obrigações.

"O primeiro-ministro recebeu o que lhe era devido de 2006 até 2018 enquanto mandou suspender o pagamento de outras dívidas. Onde está a coerência e a transferência deste governante? Isto não pode ser. O que fazemos é a política laboral e não a política partidária... que fique claro que não estamos a reboque de ninguém”, disse o sindicalista em tom de revolta.

Os três sindicatos já apresentaram ao primeiro-ministro um caderno reivindicativo de 17 pontos, com destaque para implementação do Estatuto da Carreira Docente, um instrumento criado pelo Governo, em 2011, mas que nunca foi aplicado na realidade, segundo os líderes sindicais que agora exigem o seu cumprimento para além do pagamento, em retroactivo, de todos os direitos inerentes.

Alunos não têm nada para fazer em casa

Entretanto, quem sai prejudicado com o braço-de-ferro entre o Governo e os sindicatos dos professores são os alunos. Associação dos pais e encarregados de educação, pela voz de Abudu Indjai, fala em desespero, silêncio, e falta de uma solução para situação:

"É um desespero total que afecta não só os alunos, mas também os pais e encarregados de educação. Todo orgulho de um pai é ter um filho que se ocupe de alguma coisa, que vá às aulas, que tenha um percurso normal, mas quando o filho está parado significa que o pai fica comprometido e os alunos em desespero. Cria uma situação de filhos ficarem sentados nas ruas sem absolutamente nada para fazer”, lamenta.

Os sindicatos ainda exigem do Governo o pagamento de vários meses de salários em atraso aos professores contratados e aqueles que entraram recentemente para o quadro do Ministério da Educação, os chamados novos ingressos, sob pena da greve ir até ao final do mês com possibilidade de novas paralisações.

sábado, 3 de novembro de 2018

O presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Alberto Nambeia quer diálogo e eleições legislativas na Guiné-Bissau rapidamente


O presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Alberto Nambeia, criticou hoje a forma como o recenseamento na Guiné-Bissau está a decorrer e afirmou que o tempo é de diálogo para se realizarem eleições legislativas rapidamente.

"Desta vez iniciamos o processo com um recenseamento turbulento, que é contestado em todos os quadrantes, tanto interna como externamente. Toda a gente questiona a forma como decorre o recenseamento", afirmou em entrevista à Lusa o presidente do PRS.

Segundo Alberto Nambeia, líder da segunda maior força política da Guiné-Bissau e que integra o atual Governo em funções, é preciso "pensar bem sobre o que deve ser feito para melhorar" o processo eleitoral.

"É bom que haja um entendimento entre nós para que façamos um recenseamento limpo para quem ganhar as eleições possa merecer a confiança de todos nós, para que, desta vez, acabemos com a turbulência no país", salientou.

O processo eleitoral para as legislativas, marcadas para 18 de novembro na Guiné-Bissau, tem sido bastante criticado pelos partidos políticos e pela sociedade civil, principalmente o recenseamento, que começou atrasado a 20 de setembro.

Recentemente, o Governo anunciou o que o recenseamento eleitoral se deveria prolongar até 20 de novembro e terminar dois dias depois da data marcada para a realização das legislativas, que têm ter de ser adiadas.

Questionado pela Lusa sobre o que deve ser feito para mudar o atual cenário de desconfiança, Alberto Nambeia disse que as "pessoas se devem sentar e dialogar" e que o mais importante não é encontrar culpados, mas uma "fórmula para corrigir" o problema, para que o processo decorra da "melhor maneira".

"Este processo é de todos nós, independentemente de quem vier a ganhar (as eleições). Devemos contribuir todos para que o processo seja transparente", disse, salientando que se tivesse a responsabilidade de organizar um recenseamento iria trabalhar em nome da Guiné-Bissau e não de um partido.

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, disse terça-feira que entregou três cronogramas com datas possíveis para realizar legislativas ao Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeadamente a 16 e 30 de dezembro, com encurtamento de prazos previstos na lei, e a 27 de janeiro, com o cumprimento da lei de recenseamento.

Sobre qual a melhor data para a realização das eleições, Alberto Nambeia disse não se querer aventurar e que vai esperar ser chamado enquanto partido pelo Presidente guineense para dar a sua opinião.

"Nós estamos preparados para ir a eleições, contrariamente ao que ouvimos falar. Estamos preparados mesmo que seja hoje, desde que todos os guineenses estejam recenseados, estejam na posse de um cartão de eleitor credível, sem qualquer dúvida", afirmou.

Para o PRS, segundo Alberto Nambeia, o importante é que "as eleições sejam realizadas o mais rápido possível, mas com toda gente recenseada e que seja num processo credível para que não haja problemas amanhã".

Na entrevista, Alberto Nambeia, que raramente fala à comunicação social, sublinhou também que na Guiné-Bissau a "lei é clara e não dá lugar a desavenças".

Questionado sobre eventuais consensos e coligações após a realização de legislativas, Alberto Nambeia defendeu a assinatura de um pacto de estabilidade.

"Quem vencer que convoque toda a gente, porque na democracia ninguém ganha tudo. Mesmo que o PRS ganhe as eleições vamos chamar valores nacionais, todas as competências nacionais para governar o país para acabarmos com esta situação", afirmou.

Sobre o cabeça-de-lista para as eleições legislativas, Alberto Nambeia escudou-se nos estatutos do partido.

"Os estatutos do nosso partido dizem que quem conduz o partido, cabeça-de-lista para as eleições legislativas é o presidente do partido, nas presidenciais também", disse. //LUSA