sábado, 7 de maio de 2016

Chikoti confirma que UE tenta derrubar poder angolano através dos media tal como fez Domingos Simões Pereira ao pagar um chegue publicitário ao Aly Silva

O chefe da diplomacia nacional, Georges Chikoti, disse esta quinta-feira ter informações de  tentativas da União Europeia de financiar órgãos de comunicação social em Angola com vista a derrubar o poder atual, denunciadas pelo diretor da Rádio Ecclesia.

«Temos que nos preparar para este fim. Acho que é muito importante que a nossa sociedade e a nossa imprensa estejam preparadas»

«Nós também temos essas informações, de algum modo. Não as temos tão oficialmente assim, mas temos por algumas vias, de que há alguma intenção de criar alguns distúrbios, incluindo em Angola e em países vizinhos», disse aos jornalistas o ministro das Relações Exteriores.

Georges Chikoti reagia às denúncias tornadas públicas esta semana pelo diretor da rádio católica nacional, Quintino Candanje, sobre a existência de organizações internacionais, nomeadamente a União Europeia, que financiam órgãos de comunicação social em Angola com vista a derrubar o poder atual.

«Temos que nos preparar para este fim. Acho que é muito importante que a nossa sociedade e a nossa imprensa estejam preparadas, para que não vá no sentido do que alguns países gostariam de fazer aqui. Nós estamos relativamente bem avisados sobre algumas intenções, mas o mais importante é que os angolanos estejam atentos», afirmou ainda o ministro das Relações Exteriores.

O chefe da diplomacia angolana falava à margem de uma cerimónia oficial em Luanda, tendo avisado que o país tem que se precaver contra estas ações, voltando a falar nas críticas públicas da União Europeia à Justiça angolana. «Nós não fazemos Justiça para satisfazer a União Europeia e muito menos a União Europeia deve fazer pressão a Angola para que as coisas corram no interesse deles», apontou o ministro.

PAIGC condecora Editor do Blog “Ditaduradoconsenso" com Diploma de Mérito

O Presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde(PAIGC), procedeu hoje a entrega de um Diploma de Mérito ao jornalista e editor do Blog "Ditaduradoconsenso" pela sua contribuição   na promoção de uma Guiné-Bissau de paz e de desenvolvimento.

Durante o seu improviso, Domingos Simões Pereira afirmou que a sugestão para a criação do Diploma do Mérito veio da parte do Secretariado Permanente do PAIGC como forma de reconhecer as contribuições válidas que não só são coincidentes com os princípios e valores que os libertadores defendem, mas que vai em linha de promoção de uma Guiné-Bissau de Paz e Desenvolvimento.

"O facto de  este primeiro reconhecimento coincidir com a  figura de António Ali Silva, torna-lhe ainda mais especial", salientou o líder do PAIGC.

Afirmou que qualificou a distinção de Ali Silva de especial porque ele é indiscutivelmente um símbolo de coragem, determinação e de perseverança.

"Podemos discordar com ele em vários aspectos, como ele pode igualmente discordar connosco em muitos aspectos e momentos. Penso que é justo reconhecer a sua liberdade de pensamento, a objectividade e são esses valores que nós admiramos e devemos ser capazes de continuar a admirar em todos os cidadãos", elogiou.

Por sua vez, o Editor do blog Ditaduradoconsenso disse que é um orgulho receber a distinção das mãos do presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

"Acho que o PAIGC tem sorte de ter um líder como Simões Pereira. Se notarem nunca uma crise demorou tanto no país sem que houve intervenção dos tropas", disse, afirmando que isso demonstra que existe uma vontade de incutir na cabeça dos mentores da crise de que o país precisa tudo menos essa situação.

António Ali Silva disse que a Guiné-Bissau só tem a ganhar com Domingos Simões Pereira. "Já lhe informei que no ano em curso vou completar os 50 anos e vou filiar no PAIGC como militante", prometeu a concluir.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Por, Dr. Fernando Casimiro

O Sr. Miguel Trovoada cometeu um gravíssimo erro político e diplomático para Guiné-Bissau

O Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau, em final de mandato, Sr. Miguel Trovoada, até pode estar coberto de todas as razões sobre as afirmações que fez, em forma de "aconselhamento", no meu entender, ao Presidente da República da Guiné-Bissau, Dr. José Mário Vaz.

Porém, ao fazer esse "aconselhamento" perante órgãos de comunicação social, cometeu um gravíssimo erro político e diplomático.

As verdades, também têm as suas sedes próprias de abordagem, quando o objectivo é, de facto, aconselhar positivamente, construtivamente, visando colher resultados positivos e não promover mais conflitos, quando o momento de crise na Guiné-Bissau impõe compromissos e responsabilidades, não só aos políticos guineenses, mas também, aos parceiros internacionais da Guiné-Bissau, particularmente às Nações Unidas, sobre o que cada um diz, como diz e onde diz o que pode ou não, ser útil para a solução da crise política.

O Sr. Miguel Trovoada, a meu ver, foi infeliz, uma vez mais, de tantas infelicidades registadas a cada vez que se pronuncia sobre a Guiné-Bissau e as suas declarações, ao invés de contribuírem para a busca da concórdia face às divergências do conhecimento de todos, só vai promover mais discórdia, porquanto servir de referência para mais acusações ao Presidente da República da Guiné-Bissau, por partes interessadas no assunto.

Espero bem que o Presidente da República da Guiné-Bissau não confunda os desabafos do Sr. Miguel Trovoada, com a Missão da ONU no Mundo e, particularmente, na Guiné-Bissau.

Espero e apelo ao Presidente da República da Guiné-Bissau, que não reaja aos desabafos do Sr. Miguel Trovoada, com atitudes de antipatia a quem brevemente irá substitui-lo na função de Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau precisa da ONU independentemente dos seus múltiplos falhanços tendo em conta os objectivos de suas Missões na Guiné-Bissau.

Honra seja feita ao período em que o Dr. Ramos-Horta liderou a Missão na Guiné-Bissau!

Ao longo de 20 meses de Missão enquanto Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau, o Sr. Miguel Trovoada não foi capaz de dar continuidade à obra iniciada pelo seu antecessor, Dr. José Ramos-Horta que, perante uma ruptura constitucional, consequente de um golpe de Estado e de um processo de transição política e governativa, difíceis, conseguiu promover, na Guiné-Bissau, a Paz e a Estabilidade, mas sobretudo a confiança entre os guineenses, e entre a Comunidade Internacional e a Guiné-Bissau, que culminaram na organização e realização de eleições presidenciais e legislativas consideradas exemplares!

A crise por que passa a Guiné-Bissau também é consequência do "desleixo" da Missão da UNIOGBIS na Guiné-Bissau e, da sua liderança, através do Sr. Miguel Trovoada!

Quando um Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau resume a sua missão ao seu gabinete de trabalho e aos encontros oficiais devidamente agendados, obviamente que não será estranho o seu posicionamento sobre questões que têm a ver com a Missão que lhe foi confiada.

Recordo aqui o que disse o Sr. Miguel Trovoada em Dezembro de 2015

“Não somos nós as Nações Unidas ou a comunidade internacional que irá trazer a paz na Guiné-Bissau. É o povo guineense, são os seus dirigentes que devem perceber que é primeiro do interesse deles criar as condições de desenvolvimento em relação à Guiné”. In http://www.unmultimedia.org/…/miguel-trovoada-lembra-resp…/…

Ora, se as Nações Unidas sobretudo, não têm nada a ver com a Paz na Guiné-Bissau, como erradamente afirmou o Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau, o Sr. Miguel Trovoada, mas sim o povo guineense, então o que está a fazer a ONU na Guiné-Bissau?

Se um dos principais propósitos das Nações Unidas – e parte central de seu mandato – é promover e manter a paz e a segurança internacionais, de que vale a presença da UNIOGBIS na Guiné-Bissau, e segundo a perspectiva do Sr. Miguel Trovoada?

O que é que esteve o Sr. Miguel Trovoada a fazer em Bissau, não na Guiné-Bissau, ao longo de 20 meses, senão, desfrutar dos benefícios, das regalias de um honroso e pomposo cargo?

Quando é que saiu do seu Gabinete de trabalho para se misturar com as populações, para avaliar in loco a realidade política, social e militar na Guiné-Bissau, conversando com o cidadão comum, de todo o país e não apenas de Bissau; com os políticos, governantes, militares etc., etc., como tão bem e regularmente fazia o seu antecessor, Dr. Ramos-Horta?

O Sr. Miguel Trovoada chegou e viu uma Guiné-Bissau estabilizada, em paz e a dar sinais de mudanças positivas, graças ao trabalho que outros fizeram, particularmente o seu antecessor, Dr. Ramos-Horta.

Desde então, acomodou-se porque o seu objectivo era apenas um: cumprir o seu mandato, sem ter que se envolver, chatear com os problemas dos guineenses, ah, eles que resolvam os seus problemas, só faltava agora eu, com esta idade, vir complicar a minha vida e a minha reforma por causa da Guiné e dos guineenses... Julgo que era essa a visão do Sr. Miguel Trovoada.

Findo o mandato, regresse em paz a São Tomé e Príncipe, Sr. Miguel Trovoada e não deixe de aconselhar os políticos e os governantes do seu país, pois os guineenses não terão saudades suas, certamente!

A Guiné-Bissau não tem que lhe agradecer por nada, pelo contrário, o Sr. Miguel Trovoada pelo seu desleixo, permitiu que as pequenas mas importantes conquistas alcançadas ao longo do período de transição, que culminaram no retorno da normalidade constitucional e na estabilidade política e governativa pós-eleições de 2014 sofressem um duro revés, que temos estado a assistir, sem solução à vista.

Nunca soube promover a prevenção de conflitos na Guiné-Bissau, daí o actual estado de crise política e social.

Ao longo de 20 meses não foi capaz de traduzir na prática, os objectivos fixados para a sua missão na Guiné-Bissau, mas pior do que isso, ignorou um dos principais propósitos da Missão da ONU no Mundo, que é a promoção e a manutenção da Paz e da Segurança Internacionais!


Positiva e construtivamente

quinta-feira, 28 de abril de 2016

PRS- Nota à Imprensa: resposta aos comunicados do PAIGC

O Partido da Renovação Social, na linha das boas práticas do exercício da democracia, vem esclarecer a opinião pública nacional e internacional, que algumas informações de carácter soez, veiculadas em alguns órgãos da comunicação social e redes sociais, pelo senhor Cipriano Cassamá, o Presidente da ANP, sob ordens da actual Direcção do PAIGC, que na ausência de argumentos que sustentem um debate contraditório, enveredam pela via do acometimento, que, aliás, é a única, com que se têm mais feito notar, de forma pública, de há nove meses a esta parte – veja-se o ilustrativo exemplo da afronta e o desrespeito ao senhor Presidente da República, à frente da comunidade internacional, e demais personalidades, aquando das audiências, por eles solicitadas, para solucionar a crise política. Infelizmente, lamentável é de constatar que todas estas atitudes estão em linha com uma estratégia e hábitos ainda eivados de pensamento e acção totalitárias.

Esta maneira de fazer política que o actual directório do PAIGC quer fazer vingar entre nós, não só, não fará escola, porque o Partido da Renovação Social lutará contra ela, mas, sobretudo porque uma certa miopia política não lhe permite entender que a cultura da democracia, e os seus valores, já se instalaram, definitivamente, e por livre opção, no ideário e práticas colectivas do nosso povo.

Posto isto, vamos expor o essencial do senhor Cipriano Cassamá, o grande perturbador, de ambição desmedida, que ao invés de assumir pessoalmente as acusações que lhe foram imputadas pelo PRS, escuda-se atrás da uma suposta assessoria de imprensa, que mais não faz do que cumprir as ordens daquele que se julga, “Imperador da Assembleia Nacional Popular", mas que também responde, epistolarmente, pelo acrónimo de PANP.

É preciso notar, que ao contrário dos métodos do actual Presidente da ANP, que acobertado pela suposta assessoria, se arroga distanciar-se de práticas injuriosas relativamente aos seus adversários, os quadros do Partido da Renovação Social assumem-se no debate público, com toda a responsabilidade e liberdade que lhe advêm da conformidade com os dispositivos da lei-quadro dos partidos políticos. Todas as comunicações políticas, não só são produzidas com responsabilidade, como também, são difundidas com a anuência e assunção plena dos órgãos, e nunca, individualmente, nem pelo líder da bancada, e nem pelo seu respectivo porta-voz. O que o Partido da Renovação Social põe em causa não são as pessoas enquanto tal.

O que o PRS traz para o debate público é a verdade sobre a probidade no exercício das funções públicas, e não a ofensa gratuita e desnecessária. O PAIGC bem pode continuar pela via das diatribes bacocas que não terá a nossa resposta. Não foi por essa via que merecemos a confiança do povo, para estar de cabeça erguida nos fóruns públicos.

E não se preocupem com as assinaturas dos documentos produzidos nos nossos órgãos, como se não bastassem os logotipos a encimar os cabeçalhos, porque em fórum devido, se, e quando for chamado, o Partido saberá, como sempre, estar à altura das suas responsabilidades. Portanto, desenganem-se com a vossa estratégia divisionista de querer calar as vozes dos senhores Certório Biote e Victor Pereira, porque enquanto forem líder e porta-voz, respectivamente, do nosso partido, continuarão a desempenhar os papéis para que foram eleitos e designados, e terão a nossa inteira solidariedade.

O Partido da Renovação Social quer ainda esclarecer o nosso povo, sobre esta figura do senhor Cipriano Cassamá, que de simples técnico agrícola, ascendeu a vários cargos públicos, arvorando-se de engenheiro agrónomo. Na realidade, o Cipriano Cassamá que toda a gente conhece, não passa de um mestre na arte da bajulação (barri padja).

Contudo, o PRS também se reserva ao direito de questionar a probidade deste senhor, na medida em que, assim o denotam, vários dos seus comportamentos, nomeadamente, insultos aos funcionários da ANP, ao seu staff, ao ministro de finanças, Dr. Geraldo Martins, e, em particular, numa atitude de tamanha grosseria, envolveu-se em cenas de pugilato, com o Presidente do PAIGC, num passado recente, tanto na sede do PAIGC, como na própria Assembleia Nacional Popular.

Recordamos ainda, que este Presidente da Assembleia Nacional Popular, devido à sua ambição, sem precedentes, pelo poder e pelo dinheiro, é capaz de tudo. Não olhando a meios para atingir os seus fins, é capaz de arrasar tudo e todos que se lhe opõem. Quem não se lembra da triste memória que foi, a desajustada, desastrosa e delirante experiência da Presidência Aberta promovida por este senhor, numa atitude desafiadora da regra de separação de poderes consagrada na nossa Constituição? Quem não se lembra, deste senhor ter questionado, o então comandante do batalhão do Palácio da República, António Indjai, sobre a presença e a possibilidade da remoção dos balantas nesse destacamento militar? Quem não se lembra, ainda, deste senhor ter afirmado que se devia juntar os balantas num contentor e deitá-los ao mar?
 
É este Presidente da ANP que disse que quer assumir a postura de facilitador de diálogo, entre os partidos políticos, com vista à obtenção de um acordo de incidência parlamentar e à formação de um governo inclusivo. Perguntamos: na base de quê, e na qualidade de quê? Mas quem é este senhor para assumir tal postura, conhecido que é de possuir um espírito odioso, e ainda de mais uma obsessão: o ser Presidente da República deste País. Nada mais nos espanta, depois da tamanha borrada que andou a fazer, todo este tempo, com a criação de todo este imbróglio, é natural que esteja de consciência pesada. "Devemos andar depressa, mas não correr. Sem oportunismos e nem entusiasmos, que nos façam perder de vista a realidade concreta. (Amílcar Cabral)".

O senhor Presidente da ANP e o Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, afinal sabem que num Estado de Direito democrático o que ordena são as leis. Mesmo assim, insistentemente, continuam a confundir e a manipular a opinião pública, chegando ao ponto de pôr em causa o acórdão com pedidos de esclarecimentos e concretizações sobre o mesmo? Mais perguntamos: afinal, quem é que está em estado de desespero com mentiras e falsidades previamente concebidas e criminosamente executadas? O que o povo não sabia, é que o actual Presidente do PAIGC também é doutorado em Ciências Jurídicas, o que a ser verdade, aproveitamos para lhe endereçar um convite para concorrer ao cargo de Juiz Conselheiro. A este propósito, quem não se lembra da eloquente e delirante interpretação pública, deste Presidente do PAIGC, que pretendia a todo o custo, que 45 votos fossem suficientes para aprovar o Programa do Governo?

Lembramos por isso, e a este propósito, que apesar da soberania que assiste a Assembleia Nacional Popular, que é um órgão legislativo, por excelência, não lhe cabe, contudo, o exercício da interpretação das leis, que é tarefa do Supremo Tribunal de Justiça, no nosso ordenamento jurídico. O Partido da Renovação Social entende que o estatuído no n. 1 do art.º 82. º da Constituição da República, que diz que, "nenhum deputado pode ser incomodado, perseguido, detido, preso, julgado ou condenado pelos votos e opiniões que emitir no exercício do seu mandato", vem, definitivamente, sanar a questão do estatuto de deputado independente. E que aliás, é fixado, no acórdão n.º 3/2016 do Supremo Tribunal de Justiça.

Relativamente à atribuição da responsabilidade pela morte do Presidente Nino, a criação dos "aguentas", a queda do governo de Carlos Gomes Júnior e da agudização da tensão entre o Presidente José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira, que aludimos nosso comunicado de imprensa, consubstanciam, de resto, fatos de notório conhecimento público nacional e internacional.

Por outro lado, queremos lembrar ao povo guineenses que o PRS ganhou as eleições livres e democráticas de 2000, em cujo governo participaram algumas figuras do PAIGC, nomeadamente, o atual Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, o atual Secretário da Juventude e Desportos, Conduto de Pina, e várias outras figuras do PAIGC, com um denominador comum, todos eles em flagrante violação da disciplina partidária do PAIGC.

Que tipos de moralidade nos pedem, o PAIGC? Quem deve ser questionado sobre problemas de moral, é o próprio PAIGC. Vejamos:

Quem assassinou Amílcar Cabral, Domingos Ramos e Osvaldo Vieira, ainda durante a gloriosa luta de libertação?

Quem provocou a guerra fratricida de 7 de junho de 1998?

Quem deu o golpe ao PRS a 14 de Setembro de 2003, senão o PAIGC com cumplicidade externa;

Não foi no governo do PAIGC que figuras públicas como Hélder Proença, Baciro Dabó, Sambá Djaló, Roberto Cacheu, Iaia Dabó foram humilhados e barbaramente assassinados por agentes ao seu serviço?

De que moralidades falam Domingos Simões Pereira e Cipriano Cassamá, quando, num ato de desespero, para que o PRS regressasse ao governo de inclusão, o primeiro, não hesitou, em implorar desculpas ao Presidente Nambeia, e o segundo, em deplorar, de joelhos, ao Presidente Nambeia, perante testemunhas, a insensatez das múltiplas bravatas e arrogâncias por eles manifestadas durante as negociações com o PRS?

Com que moral, anda o Domingos Simões Pereira, a aliciar deputados do PRS a troco de avultadas somas pecuniárias, a fim de os subtrair para a sua bancada na contagem aritmética dos votos. A este propósito esclareça-se que o PRS nunca castigará os seus dois deputados que se recusaram a alinhar na abstenção decidida pelo partido, preferindo não votar, na aprovação que, no entanto, acabaria por chumbar o programa do governo do PAIGC.

Este é um bom exemplo, que desmente categoricamente, a ideia subjacente na comunicação do PAIGC, de que o PRS, porque não ganha eleições, se serve de arranjos eleitorais para passar boa parte do tempo na governação. Ora, os factos relatados no parágrafo anterior contrariam essa ideia. O Partido da Renovação não anda atrás de arranjos. E se os quisesse, teria integrado o governo do PAIGC. Contudo, não o fez pensando numa estratégia mais abrangente, mais inclusiva, e que nos permita uma saída mais duradoura para estas cíclicas crises políticas que assolam o País, a fim de garantir a paz e a estabilidade.

Por outro lado, quando se vem afirmar que o PRS não consegue ganhar eleições através das urnas, e vai buscar arranjos pós-eleitorais, e pós-golpes de estado, recordamos o seguinte: em 2006, o PRS integrou o governo do Fórum de Convergência Democrática liderado pelo Dr. Aristides Gomes, a convite do próprio PAIGC, e novamente, em 2008 integrou o governo de Pacto de Estabilidade liderado pelo Eng.º Martinho Indafa Cabi, a convite do PAIGC. Este caso não é um crime, prova apenas o mérito e competência dos nossos quadros, que ficou patente no governo de Domingos Simões Pereira. Facto corrente na experiência de muitas democracias do mundo contemporâneo.

É lamentável, mas é ainda deste PAIGC, com um recente passado tenebroso, de que estamos a falar, porque ainda agora, nos nossos dias, pelos seus actos e acções denota no seu DNA, resquícios totalitários. Portanto, ainda estamos a falar de um PAIGC, de insurreição, de centralismo democrático, que na falta do inimigo colonialista, inventa outros. Enfim, de um PAIGC incapaz de se quedar ao charme da democracia.

Para que vale o PAIGC ganhar tantas eleições, se, em 40 anos de independência, o povo guineense ainda não colheu frutos da paz, estabilidade e desenvolvimento que tanto almeja e merece? Povo este, que se resume, há décadas, a um mártir de esperanças falhadas. É caso para dizer, que se no passado o PAIGC nos libertou do jugo colonial, hoje, quem está no direito de se libertar do PAIGC, é o povo guineense.

Como é possível, o PAIGC se proclamar de vencedor de 4, em 5 eleições legislativas na nossa história democrática, se bem que foi no cômputo geral desta macabra e antipatriótica governação, é que o próprio conduziu a pátria de Amílcar Cabral à ruína. Com um vasto rol de corrupções, matanças de camaradas, ódios, vinganças, golpes, contragolpes, tentativas de limpeza étnica, desunião, incompetência, e mendicidade do próprio Estado, o Partido da Renovação Social fica sem saber de que se orgulha o PAIGC. Factos que com toda a segurança, podemos hoje, afirmar, que não passariam pela cabeça do fundador da nossa nacionalidade.

Lamentavelmente, o PAIGC, agora dirigido por Domingos Simões Pereira, transformou-se num partido de matriz anti Combatente da liberdade da Pátria, e podemos mesmo afirmar, que é destrutivo, e é apático em apresentar propostas de solução à crise, que ele criou, e que a perdurar, este estado de coisas, certamente, trará consequências imprevisíveis e desastrosas para a Nação guineense.

Por último, o Partido da Renovação Social reitera as acusações tornadas públicas, e não recua um milímetro, pelo que aguarda por acções do senhor Cipriano Cassamá e do PAIGC para as devidas e adequadas respostas para o actual momento.

Guardamos para o nosso próximo comunicado notícias que darão conta dos bilhões em gastos sumptuosos nas mais de 50 supérfluas viagens realizadas por Cipriano Cassamá, e pela compra por este governo ilegal de mais 35,2 bilhões de Fcfa de crédito mal parado da dívida de privados, que já foi posta em causa pelo Programa de Assistência Financeira assinado com o Fundo Monetário Internacional. Por este motivo apelamos ao senhor Presidente da República, que tome medidas tendentes a sustar esta operação.

Nesta esteira apelamos a todos os militantes, simpatizantes e dirigentes e a população em geral para se manterem calmos e firmes perante as manobras maquiavélicas e desestabilizadoras de Domingos Simões Pereira e de Cipriano Cassamá.

Viva a PAZ e Liberdade

Viva o Povo Guineense

Bissau, 27 de abril de 2016

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tera Rankadu di Guineense pa Djintis ki ka tenel: Peixeiras da Guiné-Bissau denunciam "absurdo" de abastecimento de peixe via Senegal

A Associação das peixeiras da Guiné-Bissau (Amupeixe) denuncia "o absurdo" de grande parte do pescado que é consumido atualmente no país vir do Senegal e pede a intervenção do Governo.

A presidente da Amupeixe, Cadi Nanqui, disse à Lusa ser "um autêntico absurdo" que as suas associadas, mais de 100 mulheres, tenham de se deslocar ao Senegal para adquirir o pescado que é vendido no mercado guineense.

"Nós temos mar, peixe em abundancia, mas nos últimos oito meses não temos peixe que chegue, ao ponto de mandarmos comprar no Senegal. É um autêntico absurdo", afirmou.

"Eles (os senegaleses) capturam o peixe aqui no nosso mar, levam para o Senegal, vendem o da primeira qualidade para a sua gente e a nós vendem-nos o peixe da segunda ou terceira qualidade", denunciou outra peixeira, Mariama Djatá.

A Amupeixe costumava receber mensalmente do ministério das Pescas 150 toneladas de pescado para distribuir pelas associadas, mas segundo Eva Indjai os problemas de abastecimento começaram quando o arrastão chinês Hiphen deixou de atracar no porto de Bissau.

O secretário de Estado das Pescas e Economia Marítima da Guiné-Bissau, Idelfonso de Barros, considera justificada a preocupação das peixeiras mas refere "um processo de mudança em curso" no sector que obriga a que o Estado "deixe de vender diretamente" o pescado capturado, entregando essa tarefa aos privados.

Idelfonso de Barros disse à Lusa que o navio Hiphen deve voltar a operar a partir de novembro, com a promessa de descarregar cerca de 300 toneladas de pescado.

Em vez de entregar ao Estado e este vender às peixeiras, o processo será de venda direta do arrastão aos membros da Amupeixe, adiantou Idelfonso de Barros.

Quanto ao facto de as peixeiras estarem a comprar o peixe no Senegal, o governante guineense entende ser "uma saída possível" encontrada para atenuar a falta de pescado, motivada em parte pelo facto de a pesca artesanal sofrer uma baixa nos períodos de março a setembro, quando os pescadores trocam a faina pela apanha da castanha do caju, uma das principais exportações da Guiné-Bissau.

Mata Nharia, outra vendedeira de peixe, diz que em mais de 20 anos nunca viu tanta dificuldade como aquela que tem enfrentado nos últimos meses e referiu que mesmo quando a Guiné-Bissau viveu um conflito armado entre junho de 1998 a maio de 1999 não enfrentou tantas dificuldades no seu negócio como agora.


Mariama Sanhá diz que quer "esperar para ver" mas sempre vai avançado que o consumidor final é quem acaba por sentir mais a situação na medida em que o preço do pescado "é forçosamente alto".

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Pacto de Estabilidade na Guiné-Bissau para viabilizar governo

Baciro Djá alcançou entendimento com o Partido da Renovação Social, a segunda maior força no Parlamento

O novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Baciro Djá, assinou esta segunda-feira o que chamou de "Pacto de Estabilidade" com o Partido da Renovação Social (PRS), segunda maior forca no Parlamento do país, para a viabilização do seu Governo.

O acordo rubricado entre Baciro Djá e o líder do PRS, Alberto Nambeia, irá permitir a formação de um novo Governo guineense para substituir o executivo liderado por Domingos Simões Pereira, demitido no passado dia 12 de agosto pelo Presidente do país, José Mário Vaz.

O Governo de Baciro Djá deve ser anunciado ainda hoje, segundo fontes da presidência guineense, que são citadas pela Lusa. As mesmas fontes adiantaram que poderá ser empossado também hoje.

A demissão do anterior governo aconteceu apesar dos apelos generalizados dentro e fora do país para que o Presidente guineense não o fizesse. 

O Executivo estava em funções há um ano, depois de o PAIGC vencer as eleições com maioria absoluta e de ter recebido duas moções de confiança aprovadas por unanimidade no Parlamento -, além de ter o apoio da comunidade internacional. 


O partido voltou, na segunda-feira, a propor o nome de Simões Pereira a José Mário Vaz, mas o Presidente nomeou e deu posse, na quinta-feira, a Baciro Djá, alegando ser vice-presidente do partido mais votado e um profundo conhecedor das promessas eleitorais, uma vez que foi diretor da campanha eleitoral da força política, em 2014.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Miguel Trovoada apresentou um relatório sobre a situação no país ao Conselho de Segurança da ONU.

O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau, Miguel Trovoada, considerou esta quinta-feira que a situação de impasse no país "não se deve prolongar", insistindo no diálogo para solucionar a crise.

"Neste momento [a situação] está a conhecer um compasso de espera que começa a ser preocupante, na medida em que o primeiro-ministro nomeado não conseguiu ainda formar um elenco governamental. Penso que esta situação não se deve prolongar", disse Trovoada no final de um encontro com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, em Lisboa.

"Penso, e foi o sentimento que colhi da comunidade internacional, que é talvez altura de reatar o diálogo a ver se com base num consenso se pode chegar a uma plataforma de entendimento para viabilizar um Governo, as instituições e o país", adiantou.

A Guiné-Bissau atravessa uma crise política desde que o Presidente, José Mário Vaz, demitiu o Governo, a 12 de Agosto, e de ter designado como primeiro-ministro, no dia 20, Baciro Djá, vice-presidente do PAIGC.

Miguel Trovoada, antigo Presidente de São Tomé e Príncipe, passou por Lisboa depois de apresentar o primeiro relatório como representante da ONU para a Guiné-Bissau ao Conselho de Segurança. "Estou a chegar do Conselho de Segurança. Há aspetos que entendi serem úteis partilhar com a senhora presidente [do Parlamento português] e foi o que fiz", disse. Também se avistou com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o chefe da diplomacia, Rui Machete.


Trovoada segue para Bissau na sexta-feira para "retomar o diálogo com os principais dirigentes do país" com o objetivo de se encontrar "uma saída", adiantou.

Sete desaparecidos após naufrágio na Guiné-Bissau

Sete pessoas estão dadas como desaparecidas devido ao naufrágio de um navio de pesca grego ocorrido no domingo na Zona Económica Exclusiva da Guiné-Bissau.

O naufrágio terá acontecido devido ao mau tempo e estão desaparecidos o capitão do navio, um agente de fiscalização e cinco marinheiros, adiantou Carlos Silva, presidente do Instituto Marítimo e Portuário da Guiné-Bissau.

Trata-se de dois guineenses, um cabo-verdiano, um grego, um cidadão da Mauritânia, um da Serra-Leoa e um do Senegal.

Segundo Carlos Silva, havia 19 pessoas a bordo, entre marinheiros, elementos de fiscalização e tripulantes, das quais 12 foram resgatadas com vida.

A água terá começado a entrar no navio e os elementos resgatados foram os que conseguiram saltar para um bote acoplado ao pesqueiro, tendo sido depois socorridos por uma piroga de pesca que os transportou até Dacar, no Senegal.


O naufrágio terá acontecido quando o capitão tentou fazer "uma manobra brusca" para contrariar a força do vento, acrescentou Carlos Silva.